Riscos para a saúde humana e animal, com o alerta para quem sentir problemas de saúde que contacte rapidamente um médico, são o novo problema derivado do rebentamento da barragem da empresa mineira Vale, em Brumadinho, nos arredores de Belo Horizonte, capital de Minas Gerais.

A enxurrada de lama que terá soterrado centenas de pessoas continua a ser vasculhada por equipas de socorro e voluntários, pelo sétimo dia, com cada vez menos esperanças de ainda encontrar sobreviventes.

Até ao final de quarta-feira, estavam recolhidos 99 cadáveres, identificados 57 corpos e há ainda 259 pessoas desaparecidas.

Água perigosa

Na madrugada desta quinta-feira, surgiu o alerta por parte do governo do estado de Minas Gerais para o perigo das águas do rio Paraopeba, atingido pelas lamas derramadas pelo rebentamento da barragem da empresa Vale, em Brumadinho.

Com base nas monitorizações levadas a cabo pela Agência Nacional de Águas brasileira, as autoridades de Minas Gerais desaconselham o uso da água do rio Paraopeba para qualquer finalidade, até que a situação esteja normalizada. Mais. É mesmo aconselhado que pessoas e animais se mantenham a uma distância de 100 metros das margens.

O contato eventual não causa risco de morte. E para os bombeiros, que têm trabalhado em contato mais direto com o solo, a orientação da Saúde é para que utilizem todos os equipamentos de segurança”, informa o governo numa nota, citada pelo jornal Estado de Minas.

O último relatório da Agência de Águas refere mesmo a presença nas águas de concentrações impróprias de alguns metais como alumínio, cádmio, cromo, chumbo, boro, vanádio, bário e níquel.

Qualquer pessoa que tenha tido contato com a água bruta do Rio Paraopeba – após a chegada da pluma de rejeitos – ou ingerido alimentos que também tiveram esse contato, e apresentar náuseas, vômitos, coceira, diarreia, tonteira, ou outros sintomas, deve procurar a unidade de saúde mais próxima e informar sobre esse contato”, acrescenta ainda a nota do governo de Minas Gerais.

Vale terá de fornecer água

Com o problemas detetados nas águas do rio Paraopeba - que na língua tupi, falada pelos povos tupi-guarani, significa "rio largo" [pará (rio) + popeba (largo)] - a empresa mineira Vale está obrigada a providenciar água potável às populações, ao mesmo tempo que foi suspensa a necessidade de autorizações para efetuar furos artesianos para obter água.

A empresa Vale apresentou entretanto ao Ministério Público e às autoridades ambientais um plano para conter os resíduos que terão vazado da barragem, dividindo a área em três zonas com diferentes processos de contenção.

Segundo o jornal Estado de Minas, a empresa propôs construir diques nos primeiros dez quilómetros em redor da barragem para conter os detritos mais grossos. Depois, numa segunda zona com a extensão de 30 quilómetros, já no rio Paraopeba, entre Brumadinho e a cidade de Juatuba, dragar as águas para recolher materiais finos como a silte e argila. Por fim, num trecho fluvial de 170 quilómetros, operar para recolher sedimentos ultra-finos.

Mais milhões congelados

Esta quinta-feira, o Ministério Público dos tribunais de Trabalho determinaram o congelamento de mais 800 milhões de reais (cerca de 190 milhões de euros), a juntar a igual quantia que já tinha sido bloqueada nas contas da empresa Vale.

Segundo o site G1, da Rede Globo, o dinheiro visa assegurar o pagamento de indemnizações.

A Vale ficou também obrigada a arcar com custos de funerais, manutenção do pagamentos de salários a trabalhadores vivos e a familiares de mortos e desaparecidos.

Além disso, foi determinada a entrega de documentos para a instrução do inquérito e apuramento das condições de segurança na mina de Brumadinho.