Foram retomadas, sete horas depois, as buscas no Brasil após risco rotura da barragem do Brumadinho, em Minas Gerais, Brasil.

A informação foi confirmada pelo tenente-coronel Flávio Godinho, da Defesa Civil de Minas Gerais, depois de os bombeiros confirmarem a diminuição do risco. 

Em causa estava a barragem 6, que fica ao lado da 1, a que rompeu, e que já no sábado tinha gerado preocupação, obrigando à sua drenagem para evitar novo rompimento. Então, as autoridades garantiram não haver perigo para a população, mas, esta manhã, decidiram começar a evacuar aldeias.

Segundo o porta-voz do Corpo de Bombeiros, Pedro Aihara, estariam 24 mil pessoas em perigo, pessoas essas que começaram a ser retiradas de suas casas e a ser encaminhadas para um dos três abrigos definidos pelas autoridades - a igreja matriz, a esquadra da polícia ou o morro do Querosene.

Entretanto, cerca de 150 elementos das Forças de Defesa de Israel, incluindo médicos e engenheiros, chegaram este domingo a Minas Gerais para apoiar as operações de resgate.

A rotura de uma primeira barragem, na sexta-feira, causou pelo menos 37 mortos e cerca de 300 desaparecidos, atingidos por uma avalanche de lama e resíduos, segundo o último balanço revisto, que anteriormente apontava para 40 mortos.

Entre as vítimas mortais estão os dez funcionários da Vale encontrados dentro de uma autocarro soterrado de lama, esclareceu o porta-voz do Corpo de Bombeiros, Pedro Aihara, no último balanço aos jornalistas.

O número oficial de desaparecidos é, neste momento, de 287 pessoas. Foram também já resgatadas 192 pessoas.

A empresa mineira Vale, em comunicado, explica que ativou os alarmes às 07:30 de Brasília (09:30 de Lisboa), depois de "detetar um aumento nos níveis de água no Dam VI", uma estrutura que faz parte da mina de Córrego do Feijão, no complexo mineiro de Brumadinho.

Face a este alarme, os bombeiros começaram a retirar as pessoas das suas casas nas aldeias vizinhas.

O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, anunciou a chegada de um avião israelita com técnicos, pessoal médico e equipamento para apoiar nas buscas de vítimas em Brumadinho.

São 140 pessoas e 16 toneladas de equipamentos", escreveu o presidente brasileiro na sua conta no Twitter.

 

Uma equipa especializada e aparelhos para detetar pessoas soterradas foram as pronessas do primeiro-minsitro isrelita, Benjamin Netanyahu, que, no passado dia 1, se tornou no primeiro chefe de governo de Telavive a assistir a uma tomada de posse de um chefe de Estado brasileiro.

Jair Bolsonaro já sobrevoou a área onde se registou o acidente e o governo federal criou um gabinete de crise.

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, considerou muito difícil conseguir ainda resgatar pessoas com vida dos escombros.

Há quase três anos, uma das barragens da empresa Samarco, controlada pelos acionistas Vale e BHP, rebentou na cidade de Mariana, no estado de Minas Gerais, originando uma torrente de lama que destruiu fauna, flora e construções ao longo de 650 quilómetros.

Este desastre causou 19 mortos, além de ter deixado desalojadas milhares de famílias.

O Movimento dos Atingidos por Barragens (MBA) considerou que a rotura da barragem em Brumadinho era uma “tragédia anunciada”, referindo que já tinha efetuado diversos alertas.

A organização não governamental salientou que, desde 2015, quando ocorreu uma tragédia semelhante na cidade de Mariana, também no estado de Minas Gerais, que tem vindo a alertar para os riscos na mina em que ocorreu o acidente na barragem e cuja ampliação foi aprovada apesar das advertências.

Desde 2015 que inúmeras denúncias foram efetuadas sobre o risco de rompimento de barragens do complexo em Brumadinho, mas mesmo assim teve a sua ampliação aprovada pelo Conselho Estadual de Política Ambiental em dezembro passado”, referiu a organização em comunicado.