Um antigo guarda das SS, de 93 anos, foi condenado, nesta quinta-feira, a dois anos de prisão efetiva, por ter participado na morte de mais de 5.000 prisioneiros do campo de concentração de Stutthof, na Polónia.

O tribunal de Hamburgo deu como provado que Bruno Dey, que tinha 17 anos na altura, foi "cúmplice em 5.232 homicídios", entre 1944 e 1945.

Devido à sua idade à data dos factos, o antigo guarda das SS foi julgado por um tribunal de menores.

"Os homicídios em massa que ocorreram no campo de concentração de Stutthof só foram possíveis com a sua ajuda", disse a juíza Anne Meier-Göring, durante a leitura do veredicto.

Mais de 40 pessoas, que vivem atualmente em França, Polónia, Israel e Estados Unidos, testemunharam contra Bruno Dey, que, durante o julgamento, declarou-se sempre inocente, dizendo que não teve opção de escolha, e que, na altura, não tinha noção do que estava a acontecer.

Concluídos 75 anos depois do fim da II Guerra Mundial, este é considerado um dos últimos processos judiciais contra elementos do regime nazi.

Nas alegações finais do julgamento, que teve início em outubro de 2019, Bruno Dey pediu desculpa.

Quero pedir desculpas a todos os que passaram pelo inferno desta loucura, bem como aos seus familiares. Isto não pode nunca voltar a acontecer", disse, na segunda-feira, antes de conhecida a decisão.

A acusação pedia uma pena de prisão de três anos e a defesa queria pena suspensa devido à idade do arguido, mas o tribunal acabou por decidir uma pena de prisão efetiva de dois anos.

Cerca de 65.000 prisioneiros, a maioria judeus, terão morrido no campo de concentração de Stutthof.

Catarina Machado