Pelo menos 430 migrantes estão em greve de fome, desde 23 de maio, em protesto pela falta de medidas reguladoras para a migração na Bélgica. De acordo com o The Brussels Times, a saúde destas pessoas está a piorar de dia para dia.

Segundo Rita Van Obberghen, uma das médicas que está a acompanhar o estado de saúde dos migrantes, alguns deles coseram os próprios lábios para simbolizar a falta de liberdade e enfatizar o compromisso com a greve.

A médica disse que "eles estão a enfraquecer, começam a ter dificuldade em manter-se de pé e estão a sentir cada vez mais dores abdominais". Apesar das intervenções médicas, algumas das pessoas em greve, acabam por pedir alta hospitalar para continuarem com o protesto.

O Secretário de Estado belga para o Asilo e Migração, Sammy Mahdi, escreveu no Twitter que está a ser feito o possível para aprovar o máximo de pedidos de asilo, mas acredita que a greve de fome não vai ajudar a situação.

"Não vamos regularizar todas as 150 000 pessoas sem documentação. Não impulsionem a greve, pode ser fatal", afirmou Mahdi. 

A greve de fome estabeleceu-se em duas universidades de Bruxelas e na Igreja de Béguinage, no centro da cidade. Os migrantes ilegais querem documentação oficial para se conseguirem estabelecer no país e terem acesso a serviços como os cuidados de saúde. 
 

Rita Cerqueira