Moçambique e a União Europeia (UE) anunciaram esta quarta-feira um aprofundamento de discussões sobre o apoio europeu na resolução do conflito e da crise humanitária em Cabo Delgado (norte), dois meses depois do pedido de ajuda formal moçambicano.

Moçambique agradeceu a resposta positiva da UE ao pedido formulado pelo Governo para apoiar na situação de Cabo Delgado e ambas as partes concordaram em aprofundar as discussões sobre as modalidades desse apoio em termos de ajuda humanitária, de ajuda ao desenvolvimento assim como na área da segurança", de acordo com um comunicado conjunto.

O documento foi distribuído no decorrer da 29.ᵃ sessão de Diálogo Político entre o Governo da República de Moçambique e a União Europeia, iniciada na terça-feira e em curso até sábado, em Lichinga, no norte moçambicano, do lado oeste de Cabo Delgado.

Em 16 de setembro, a ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Moçambique, Verónica Macamo, escreveu um ofício ao Alto Representante da UE para a Política Externa, Josep Borrell, a pedir apoio na logística e no treino especializado das forças governamentais para travar as incursões armadas de grupos classificados como terroristas em Cabo Delgado.

A carta com a resposta positiva chegou em 09 de novembro.

Só na última semana, mais de 33 mil pessoas abandonaram as zonas de conflito de Cabo Delgado, anunciou a Organização Internacional para as Migrações (OIM).

Na segunda-feira, eurodeputados portugueses do PS, PSD e CDS pediram mais ação da UE face aos ataques, pedindo um debate de urgência na próxima sessão plenária do Parlamento Europeu (PE) sobre a questão.

A delegação de Moçambique no encontro de Lichinga foi chefiada por Verónica Macamo e integrou quadros seniores de instituições públicas.

A delegação da UE foi chefiada pelo embaixador Antonio Sánchez-Benedito Gaspar, acompanhado pelos embaixadores de Espanha, Finlândia, França, Irlanda, Portugal e Suécia, pelo encarregado de negócios de Itália e representantes da Bélgica e Áustria.

A violência armada em Cabo Delgado está a provocar uma crise humanitária com cerca de dois mil mortos e 435 mil deslocados sem habitação, nem alimentos suficientes, concentrando-se sobretudo na capital provincial, Pemba.

/ LF