Os talibãs são um movimento com uma interpretação extremista do Islão e que governou o Afeganistão entre 1996 e 2001. Este domingo, 20 anos depois de serem afastados, tomaram, de novo, o país nas suas mãos.

Quem são os talibãs?

A palavra talibã significa "estudante" nas línguas faladas no Afeganistão.

O grupo diz-se seguidor do islamismo, no entanto, a sua interpretação é muito mais extremista que a da maioria dos muçulmanos. Sempre que assumem o poder tentam impor uma versão estrita da lei islâmica. Por exemplo, a população deixa de ter acesso a televisão, musica e cinema.

As raparigas não podem frequentar a escola. Os homens são instigados a usar barba e as mulheres obrigadas a usar burka. Mas estas, são apenas algumas das regras impostas por este grupo.

Os castigos para quem não cumprir as regras são pesados e já foram, diversas vezes, acusados de violarem os direitos humanos.

O movimento terá nascido do início da década de 1990, no Paquistão e no Afeganistão, e ganhou força em 1994, neste último país.

O Afeganistão estava devastado pela guerra contra os soviéticos (1979-1989). No território, depois da queda em 1992, do regime comunista, em Cabul, desenrolou-se uma luta fratricida entre os `mujahidine` ("combatentes" islâmicos). Aos poucos o movimento conquista cidades e, em 1996, chega a Cabul.

Os atentados de 11 de setembro e a queda dos talibãs

A queda do regime talibã no Afeganistão terá começado com os atentados de 11 de setembro, nos Estados Unidos. Osama Bin Laden, líder da al-Qaeda, responsável pelo ataque às Torres Gémeas, em Nova Iorque, escondeu-se naquele país. A pressão internacional para que Bin Laden fosse entregue não teve efeito e os Estados Unidos usaram a força militar para retirar os talibã do poder.

Um novo governo foi escolhido para governar o país e os Estados Unidos prometeram ajudar a implementar a democracia no país. Os Estados Unidos receberam o apoio da NATO e de diversos países estrangeiros. 

Apesar de afastados do poder, os talibãs reagruparam-se em diversas partes do país e, até, em países vizinhos do Afeganistão. Nos últimos anos, nunca deixaram de atacar, sempre que puderam, as forças internacionais estacionadas no país. 

Muitos defendiam que o movimento teria de ser parte do processo de paz no país e, em 2019, começaram negociações entre os Estados Unidos e os talibãs, para terminarem um conflito já com 17 anos. Os Estados Unidos acabaram por aceitar sair do território, deixando o Governo afegão sozinho na liderança do país.

Em abril de 2021, o presidente norte-americano, Joe Biden, anunciou que as tropas deixariam o Afeganistão até 11 de setembro, duas décadas após os atentados de 11 de setembro, mas o acordo não parou o movimento. Desde maio, cidade a cidade, todas caíram nas suas mãos. A 15 de agosto foi a vez de Cabul.

Vários países tentam, agora, retirar os seus cidadãos do Afeganistão, mas após a entrada do movimento talibã na capital, é difícil garantir a segurança seja de quem for. 

Redação / PP