A Câmara Municipal de Paris foi multada esta terça-feira em 90 mil euros por ter demasiadas mulheres a ocupar cargos de gestão. A autarca da capital francesa, Anne Hidalgo, garante que irá entregar pessoalmente o cheque ao governo, juntamente com todas as mulheres com quem trabalha.

A lei da paridade de género de 2013 definia uma quota máxima de 60% para cada género em funções de direção. Um limite que foi ultrapassado pela Câmara de Paris que, em 2018, nomeou 11 mulheres para um total de 16 cargos de direção (69%).

A presidente da câmara criticou a aplicação da multa.

É injusta, irresponsável e perigosa”, defendeu Anne Hidalgo. A primeira mulher a liderar a capital francesa acrescentou que “para alcançarmos a paridade, devemos apressar-nos e garantir que sejam nomeadas mais mulheres do que homens. A discrepância no país ainda é muito grande”.

Entretanto, a norma em causa já foi revogada e, atualmente, há isenção de cumprimento de quotas desde que tal não dê origem a um desequilíbrio geral. No entanto, a lei agora em vigor não tem efeitos retroativos, pelo que a multa terá mesmo de ser paga.

A ministra da Função Pública também criticou a lei, que rotulou de “absurda”, e garantiu que o dinheiro será aplicado em ações concretas para a promoção das mulheres”.

A Câmara Municipal de Paris desenvolveu um plano cujo objetivo passa por combater a desigualdade de género entre os trabalhadores da autarquia. Em média, os homens ganham mais 6% do que as colegas mulheres.

João Faria