Os militares britânicos começam na segunda-feira a distribuir combustível nas gasolineiras para amenizar a falta de transportadoras, que motivou o encerramento de muitos postos de abastecimento, anunciou, neste sábado, o governo de Boris Johnson.

Quase 200 membros das Forças Armadas, dos quais 100 são condutores, que receberam formação de emergência, serão destacados para aliviar a situação que tem provocado longas filas de espera para reabastecer.

Apesar de o governo e das grandes petrolíferas terem insistido, nos últimos dias, que a situação “estabilizou”, mais de um quarto das gasolineiras independentes do Reino Unido continuavam na sexta-feira com as bombas vazias, segundo a Associação Nacional de Retalhistas.

Num comunicado de imprensa difundido hoje, o Ministério do Gabinete (semelhante ao Conselho de Ministros), indicou que os 200 militares, que fazem parte do corpo de Tanques do Exército, darão “apoio temporário” dentro das medidas que o governo tem adotado para combater a falta de motoristas.

O país “ainda enfrenta desafios”, apesar de a procura “ter estabilizado e agora estar a ser mais repartido o combustível do que vendido”, refere a nota de imprensa.

Também será permitida a entrada temporária de imediato de 300 camionistas estrangeiros, que poderão permanecer no Reino Unido para trabalhar até ao final de março de 2022.

O executivo acrescenta que está a tomar outras medidas provisórias contra as pressões que a cadeia de distribuição alimentar está a sofrer, também causada pela falta de mão de obra, que é atribuída “à pandemia e à recuperação da economia global em todo o mundo”, refere o documento que não menciona o Brexit, ou seja, a saída do país da União Europeia.

Entre essas medidas, está a chegada, em finais de outubro, de outros 4.700 transportadores de alimentos, que ficarão até final de fevereiro, e 5.500 trabalhadores do setor avícola que também terão permissão para entrar no país, com visto até 31 de dezembro.

A introdução destes vistos temporários não nos desvia do nosso compromisso de elevar a qualificação e aumentar os salários do nosso mercado de trabalho, mas reconhece as circunstâncias extraordinárias que afetam a estabilidade da cadeia de abastecimento do Reino Unido”, sublinha o governo.

O ministro dos Negócios, Energia e Estratégia Industrial, Kwasi Kwarteng, destacou que “não há escassez de combustível” no país, pelo que as pessoas “deveriam continuar a abastecer com normalidade”, e pediu aos cidadãos que não se deixem levar pelo pânico para permitir que as coisas “possam voltar à normalidade”.

Agência Lusa / CM