As mulheres que naturalmente acordam cedo podem ter menor risco de vir a sofrer de cancro de mama, defende um estudo britânico, apresentado na conferência do Instituto Nacional de Pesquisa do Cancro (NRCI na sigla original), em Glasgow.

Uma equipa de investigadores da Universidade de Bristol, Inglaterra, estudou o ritmo biológico de milhares de mulheres, concluindo que as mulheres geneticamente programadas para se levantarem cedo são menos propensas àquele tipo de cancro.

Todas as pessoas têm um relógio biológico, que determina como o corpo funciona durante 24 horas, o chamado ritmo circadiano. Este relógio influencia a forma como se dorme, as horas de sono diárias, o humor e até o risco de sofrer um ataque cardíaco.

Através do método randomização mendeliana (que calcula se as variantes genéticas podem levar ao desenvolvimento de uma doença), os investigadores analisaram amostras de ADN de milhares de mulheres, referenciadas num banco genético britânico (Biobank) e no Consórcio da Associação do Cancro de Mama (BCAC no original).

Os resultados mostraram que pessoas geneticamente programadas para se levantarem cedo são menos propensas a ter cancro de mama.

As descobertas são muito importantes porque o sono é facilmente modificado”, afirmou Rebecca Richmond, uma das investigadoras do estudo, à BBC.

Mas Rebecca Richmond admite que não é assim tão simples e que ainda é cedo para dar conselhos, visto que ainda não se podem tirar conclusões cientificamente comprovadas deste estudo.

Ainda precisamos de entender por que é que as pessoas que acordam mais tarde têm mais risco de cancro”, indicou.

A Organização Mundial de Saúde já tinha alertado para o perigo da alteração do relógio biológico das pessoas, devido aos turnos de trabalho, em que pessoas habituadas a acordar e a deitar cedo passam a fazer horários mais tardios, estar possivelmente ligada ao risco de cancro.

Os resultados encontrados aumentam o número de evidências da possível relação entre a genética e a hora em que dormimos com o risco de cancro de mama. No entanto, serão necessárias mais pesquisas para aprofundar essa relação”, afirmou Richard Berks, membro da equipa de investigação Breast Cancer Now.

Os resultados do estudo foram publicados em bioRxiv, mas ainda carecem de revisões científicas.