As autoridades de saúde de Hong Kong estão a tentar controlar a propagação de um fungo potencialmente fatal que atingiu vários hospitais públicos e lares de idosos, fragilizados pelo impacto da pandemia.

Na sexta-feira, o chefe para o controlo de infeções da Autoridade Hospitalar, o órgão do governo que gere todos os hospitais e clínicas públicas, disse estar a trabalhar para impedir que o fungo Candida auris se espalhe pela comunidade.

De acordo com esta autoridade, nos primeiros dez meses de 2020, Hong Kong registou 136 casos de infeção por Candida auris, mais 116 do que em todo o ano de 2019.

A Autoridade Hospitalar informa que os pacientes contagiados por este fungo têm uma chance de sobreviver de entre 30 a 60%, mas não avançou o número de casos fatais este ano.

 

Imagem divulgada pelo Centro para o Controlo e Prevenção de Doenças mostra uma cultura de Candida auris numa placa de Petri/ AP 

 

 

 

Esperamos controlar o fungo dentro dos hospitais e lares, para que não se espalhe pela comunidade”, disse Raymond Lai, chefe para o controlo de infeções da Autoridade Hospitalar.

Lai avançou em conferência de imprensa que o escasso número de espaços para isolamento, devido à pandemia de covid-19, contribuiu para um aumento “dramático” do número de infetados.

Alguns hospitais não têm camas para isolamento. Assim sendo, são forçados a colocar os pacientes infetados com Candida auris no canto das alas médicas”, sublinhou Lai.

A maior parte dos casos de infeção por este fungo tiveram origem em lares e hospitais na zona oeste de Kowloon, especialmente nos centros hospitalares de Princess Margaret,  North Lantau e Yan Chai.

As idades dos infetados com o fungo variam entre os 21 e os 101 anos, mas cerca de 80% dos casos concentram-se nos grupos etários acima dos 60 anos. O contágio é normalmente detetado a partir da cavidade oral, do trato gastrointestinal e da pele.

A Autoridade Hospitalar afirma ainda que a causa mais comum de infeções surge através da descamação da pele, “que faz com que o agente patogénico permaneça no ambiente durante meses”.

Entre a população mais vulnerável a este fungo, Raymond Lai destaca os pacientes imunocomprometidos, tal como aqueles que realizaram uma cirurgia há pouco tempo.

Para controlar a disseminação do fungo, as autoridades de saúde recomendam que o material médico seja utilizado uma vez por paciente, algo que não está a acontecer por causa da limitação de recursos provocada pela pandemia.