O Canadá anunciou novas sanções contra 14 funcionários do Governo de Nicolas Maduro, que acusa de terem contribuído para a deterioração "da democracia na Venezuela", uma decisão que Caracas já condenou.

A ministra de Assuntos Exteriores do Canadá, Chrystia Freeland, sublinhou que as novas sanções "enviam uma mensagem clara de que o comportamento antidemocrático do regime de Maduro tem consequências".

O anúncio de hoje [quarta-feira] é prova do nosso compromisso para defender a democracia e os direitos humanos em todo o mundo, e da nossa condenação às eleições presidenciais fraudulentas [a 20 de maio último] na Venezuela", disse aos jornalistas.

A decisão das autoridades canadianas foi tomada depois de a Organização de Estados Americanos (OEA) ter anunciado, na terça-feira, que vai enviar para o Tribunal Penal Internacional (TPI) o relatório de um painel de especialistas internacionais que denuncia alegados crimes contra a humanidade cometidos na Venezuela.

O Canadá manifestou a sua consternação perante as conclusões do relatório.

A medida impõe o congelamento e a proibição aos canadianos, dentro e fora do Canadá, de realizar negócios com as pessoas sancionadas, assim como comercial propriedades ou proporcionar-lhes serviços financeiros.

A Venezuela "condenou energicamente esta nova tentativa do Governo do Canadá de impor medidas coercivas unilaterais contra cidadãos venezuelanos, em aberta violação das mais elementares normas do Direito internacional público", de acordo com um comunicado.

É evidente a conduta obsessiva do Governo do Canadá contra a Venezuela e responde à humilhante subordinação da sua política exterior à administração racista e supremacista de [Presidente dos Estados Unidos] Donald Trump. Os factos apontam para que esta política servil canadiana resulte do desespero desse Governo para evitar perder benefícios e preferências nos tratados comercias com os EUA", acrescentou.

Para Caracas, "nenhuma agressão pró-imperialista desviará o povo de Bolívar do caminho da paz, da soberania e da defesa da sagrada independência nacional", concluiu a nota.

As sanções abrangem a vice-presidente da Assembleia Constituinte Tânia Valentina Díaz González, o diretor da vice-presidência executiva venezuelana Fidel Ernesto Vásquez Iriarte, Carolys Helena Pérez González, a mulher de Nicolas Maduro, Cilia Maduro, a presidente do município de Libertador, Erika del Valle Farías e o deputado Ramón Darío Vivas Velasco.

A lista inclui os magistrados do Supremo Tribunal de Justiça, Christian Tyrone Zerpa, Fanny Beatriz Márquez Cordero, Malaquías Gil Rodríguez, Indira Maira Alfonzo Izaguirre e Jhannett María Madriz Sotillo, os membros do Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela, Carlos Enrique Quintero Cuevas e Xavier António Moreno Reyes, e o ex-presidente do Instituto Venezuelano de Segurança Social Carlos Alberto Rotondaro Cova.