Mais 11 pessoas apresentadas como "terroristas" e associadas a uma invasão marítima frustrada foram detidas domingo na Venezuela, elevando o total de detenções para 45, anunciaram as autoridades, citadas pela agência de notícias France-Presse. 

"Mais três mercenários terroristas [...] foram capturados na Colonia Tovar", uma pequena comunidade de descendentes de imigrantes alemães, perto de Caracas, anunciou na rede social Twitter o almirante Remigio Ceballos. Horas mais tarde, a televisão pública dava conta da detenção de mais oito pessoas no estado de Vargas, no litoral Norte daquele país. 

As novas detenções elevam para 45 o total de detidos relacionados com o incidente, todos suspeitos de estarem implicados na tentativa de invasão falhada da Venezuela, nos dias 3 e 4 de maio.

Entre os detidos estão dois antigos soldados norte-americanos, Luke Denman e Airan Berry, acusados de "terrorismo, conspiração, tráfico de armas de guerra e associação de malfeitores", que arriscam 30 anos de prisão.

Vinte e nove venezuelanos foram igualmente acusados de "conspiração com governo estrangeiro", nomeadamente os Estados Unidos e a Colômbia, além de outros crimes, segundo a procuradoria daquele país.

Entre as detenções efetuadas no domingo estará Alcalá Cordones, sobrinho do antigo general venezuelano Clíver Alcalá, a quem as autoridades venezuelanas acusam de ter planeado os ataques e de estar envolvido no tráfico de droga.

Cordones foi um colaborador próximo de Hugo Chavéz, ex-Presidente venezuelano, falecido em 2013, tendo-se distanciado de Nicolás Maduro, no poder desde a morte de Chavéz.

O Governo venezuelano anunciou, a 3 de maio, que oito pessoas morreram e duas foram detidas numa primeira tentativa de ataque marítimo que ocorreu no Estado de La Guaira, vizinho de Caracas.

A 04 de maio, dois norte-americanos e 11 pessoas foram detidas numa segunda embarcação que se aproximava de uma área costeira do estado central de Arágua.

Segundo o Presidente, Nicolás Maduro, que comparou o episódio à "Baía dos Porcos", em Cuba, em 1961, a invasão marítima frustrada tinha como "objetivo central" o seu assassínio, a mando do líder opositor, Juan Guaidó.

A crise política, económica e social venezuelana agravou-se desde janeiro de 2019, depois de o presidente do parlamento, Juan Guaidó, jurar publicamente assumir as funções de Presidente interino do país até afastar Nicolás Maduro do poder, convocar um Governo de transição e eleições livres e democráticas na Venezuela.

Guaidó tem o apoio de mais de meia centena de países.

/ RL