A embaixada virtual dos Estados Unidos em Caracas advertiu, na rede social Twitter, as autoridades venezuelanas de que "haverá consequências" se não libertarem o vice-presidente da Assembleia Nacional, Edgar Zambrano.

A conta oficial da embaixada no Twitter é administrada pelo Departamento de Estado norte-americano, a partir de Washington.

A detenção arbitrária de Edgar Zambrano pelas forças de segurança opressivas de [Nicolás] Maduro é ilegal e imperdoável", escreveu na quarta-feira a embaixada, cuja sede está na capital norte-americana.

 

Se ele não for libertado imediatamente, haverá consequências", advertiu.

Funcionários do Serviço Bolivariano de Inteligência da Venezuela (Sebin, serviços secretos) detiveram na quarta-feira o vice-presidente da Assembleia Nacional (AN, dominada pela oposição), anunciou Zambrano, na sua conta do Twitter.

Fomos surpreendidos pelo Sebin, como nos negámos a sair da nossa viatura, usaram uma grua para transportar-nos de maneira forçada diretamente ao Helicoide [prisão do Sebin]. Nós, democratas, vamos continuar a lutar", escreveu o parlamentar.

Numa outra mensagem, publicada na mesma rede momentos antes, o deputado alertava o povo venezuelano de que se encontrava dentro da sua viatura, junto da sede do seu partido, a Ação Democrática, em La Florida (centro-leste de Caracas), "cercados pelo Sebin".

Na sexta-feira, o Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela acusou o vice-presidente do parlamento de vários crimes, como traição à pátria e conspiração, por ter apoiado uma tentativa de golpe de Estado contra o chefe de Estado, Nicolás Maduro.

Deputados alertam comunidade internacional para violação de imunidade

Deputados da oposição na Venezuela deslocaram-se esta noite para junto das instalações da Helicoide, onde alegadamente estará detido o vice-presidente da Assembleia Nacional, Edgar Zambrano, e alertaram a comunidade internacional para a violação da imunidade parlamentar.

Pouco mais de uma hora após a detenção de Edgar Zambrano, junto à sede do partido Acão Democrática, os deputados decidiram ir pelas 21:00 (02:00 de hoje em Lisboa) para as instalações da prisão política, Helicoide, onde se juntaram também dezenas de jornalistas.

A deputada da oposição Dennis Fernández foi muito clara quando disse que já tinha alertado para o que podia acontecer, "hoje consumou-se a violação da imunidade parlamentar".

Afirmou que os deputados vão estar ali a dar a cara, a acompanhar o vice-presidente e a denunciar a violação da imunidade parlamentar. "O que aconteceu é um sequestro", disse.

A deputada explicou que não houve ainda nenhuma informação das autoridades sobre Edgar Zambrano: "Não há comunicação com o deputado. Não conseguimos falar com ele. Nem com os jovens que estavam com ele".

Entretanto, na televisão pública, Diosdado Cabello, presidente da Assembleia Constituinte, já admitiu a detenção de Edgar Zambrano.

Num programa com uma plateia de pessoas a rirem-se, disse que Edgar "foi um dos chefes do golpe" e ainda brincou com a estranha detenção, dizendo que o deputado se queixou que estava a ser sequestrado, mas levaram-no num reboque, disse perante uma plateia às gargalhadas.

A deputada Dennis Fernández quis deixar claro aos jornalistas que as autoridades venezuelanas são responsáveis pelo que venha a acontecer a Zambrano.

Estaremos aqui, muito atentos ao que vai acontecer e queremos saber o que se passa com ele, e que nos deixem falar com ele", afirmou.

Fez ainda um alerta à comunidade internacional, lembrando que se trata do vice-presidente da Assembleia Nacional.

Questionada sobre se sabia de alguma ordem judicial de detenção, a deputada disse que não. "Não temos informação nenhuma. Nem temos comunicação com ele. Não sabemos o que se está a passar".

Já foi dado conhecimento do acontecimento a todos os organismos internacionais, incluindo a ONU a OEA e a Comissão Interamericana dos Direitos Humanos.

A deputada alertou que o vice-presidente do parlamento "toma medicamentos para a hipertensão" e "tem uma infiltração no joelho que está a tratar".

Sobre um possível diálogo que pudesse ser proposto entre o regime de Nicolás Maduro e a oposição, Fernández disse que "não se pode dialogar com quem não respeita os direitos humanos e a imunidade parlamentar".

Como presidente da Comissão de Assuntos Internacionais do ParlaSul, William Dávilla afirmou que o Mercosul nasceu para defender a democracia e por isso está a ser preparado um documento para "denunciar a violação da imunidade parlamentar".

Isto que aconteceu aqui hoje tem um grande impacto noutros parlamentos de outros países. Uma decisão de um tribunal que violenta a Constituição para evitar a imunidade parlamentar de um deputado. Essa denúncia já esta no Mercosul", afirmou.

O deputado disse mesmo que foi exigido que o Mercosul tome uma posição ainda hoje. E alertou a comunidade internacional que "deve estar atenta".

Mais que nunca temos de estar ferreamente unidos. Isto é uma ditadura. Uma tirania. Nós não temos medo e vamos continuar lutando com toda a disciplina (...) com fé e a convicção de que isto vai mudar. Neste momento não temos um Governo, temos uma ditadura", disse, junto às instalações do Helicoide.

Funcionários do Serviço Bolivariano de Inteligência da Venezuela (Sebin, serviços secretos) detiveram hoje o vice-presidente do parlamento venezuelano, Edgar Zambrano, anunciou o próprio na sua conta do Twitter.

Fomos surpreendidos pelo Sebin, como nos negamos a sair da nossa viatura, usaram uma grua para transportar-nos de maneira forçada diretamente ao Helicoide (prisão do Sebin). Os democratas nos manteremos em pé de luta", escreveu.

Numa outra mensagem, enviada pouco antes, o deputado alertava o povo venezuelano de que se encontrava dentro da sua viatura na sede do partido Ação Democrática, em La Florida (centro-leste de Caracas) "cercados pelo Sebin".