Um professor holandês refugiou-se num local seguro após receber ameaças e acusações de "blasfémia" de várias alunas, numa escola em Roterdão, nos Países Baixos, por mostrar em sala de aula uma caricatura.

A caricatura em questão mostra um homem degolado e a vestir uma camisola do semanário satírico francês Charlie Hebdo, mostrando a língua para o ‘jihadista’ que acabou de decapitá-lo.

O Instituto Secundário Emmauscollege confirmou que o docente está escondido em local seguro, após iniciar uma discussão em aula sobre o desenho "Immortal", do cartunista holandês Joep Bertrams, que estava pendurado num quadro negro na sala de aula há cinco anos, juntamente com fotos do líder espiritual indiano Jiddu Krishnamurti e da ativista paquistanês Malala Yousafzai.

O Governo holandês convidou as escolas a participarem, na segunda-feira, na homenagem ao professor francês Samuel Paty.

No instituto Emmauscollege, a homenagem começou com um minuto de silêncio, a bandeira a meia haste, um discurso do diretor da escola e, posteriormente, alguns professores escolheram abrir um debate sobre as caricaturas.

O professor francês Samuel Paty foi decapitado por um ‘jihadista’ russo-checheno no dia 16 de outubro, nos arredores de Paris, em França, por ter mostrado uma caricatura do profeta Maomé durante uma aula sobre liberdade de expressão.

Na escola holandesa, avisadas de que “haveria uma caricatura do profeta” Maomé na sala do professor ameaçado, várias alunas entraram na classe e exigiram que o docente retirasse a caricatura, acusando-o de “blasfémia”.

O docente tentou sem sucesso explicar às alunas que a imagem retratava um ‘jihadista’, de forma de crítica pelo ataque de 2015 ao Charlie Hebdo, e não mostrava Maomé.

Os professores concordaram em retirar a caricatura após a tensão provocada com os alunos, mas uma imagem do quadro negro começou a circular nas redes sociais com o título “caricatura do nosso profeta”, o que atraiu insultos, mas também ameaças contra o docente.

Se isso não for removido imediatamente, faremos as coisas de maneira diferente”, insinuou uma conta anónima no Facebook.

De acordo com a polícia Holandesa e o Ministério Público, uma investigação está a decorrer para encontrar os autores de várias ameaças recebidas online contra o professor, mas ninguém foi detido ainda.

Vários docentes relataram ao jornal holandês NRC que já não se sentem seguros em ir à escola por causa do que aconteceu ao seu colega.

/ CE