O presidente do parlamento da Catalunha, Espanha, anunciou, nesta terça-feira, o adiamento da sessão plenária da assembleia prevista para esta tarde, que ia investir Carles Puigdemont presidente do executivo catalão.

O plenário de investidura não se vai desconvocar, mas é adiado”, disse Roger Torrent, numa declaração aos jornalistas, assegurando que “o presidente Puigdemont tem todo o direito em ser investido” e que se recusa a propor outro candidato.

Os serviços jurídicos do parlamento regional vão apresentar alegações junto do Tribunal Constitucional espanhol, que tomou no sábado uma medida cautelar que impede a investidura à distância de Puigdemont, que está refugiado na Bélgica e com um mandado de busca e captura em Espanha por suspeitas de ter cometido delitos de rebelião, sedição e peculato.

As forças constitucionalistas têm pressionado Rogert Torrent para que desconvoque o plenário e abra uma nova ronda de consultas parlamentares para se escolher outro candidato à presidência da Generalitat, enquanto o bloco separatista mantém a sua intenção em empossar à distância Carles Puigdemont a qualquer custo.

Também hoje o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, instou o parlamento da Catalunha a cumprir a lei e a impedir a investidura.

Gostava que se cumprisse a lei, que o parlamento da Catalunha acatasse a lei. A candidatura de Carles Puigdemont não pode ser votada”, disse Mariano Rajoy numa entrevista ao canal de televisão espanhola TVE.

O novo presidente da assembleia, o separatista Roger Torrent, tinha convocado na passada quinta-feira o plenário para as 15:00 (14:00 em Lisboa) de hoje para debater e votar a “investidura do deputado Carles Puigdemont” à presidência do Governo catalão (Generalitat).

Carles Puigdemont é acusado pela procuradoria-geral espanhola de delitos de rebelião, sedição e peculato na sequência da tentativa de criar um estado independente de Espanha.

Se o ex-presidente regional regressar a Espanha será imediatamente preso e no caso de continuar em Bruxelas terá de ser investido à distância, o que os serviços jurídicos do parlamento regional já tinham considerado ser contrário à Constituição mesmo antes da medida cautelar do Tribunal Constitucional.

As eleições catalãs de 21 de dezembro foram convocadas pelo chefe do Governo espanhol no final de outubro, no mesmo dia em que decidiu dissolver o parlamento da Catalunha e destituir o executivo regional presidido por Carles Puigdemont por ter dirigido o processo para declarar unilateralmente a independência da região.

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