O ex-presidente da Nissan Carlos Ghosn terá pago 862.500 dólares (cerca de 763.755 euros) à empresa de uma das pessoas que alegadamente o ajudaram a fugir do Japão, em dezembro passado, noticiou esta quarta-feira o jornal financeiro japonês Nikkei.

A informação consta de documentos apresentados num tribunal dos Estados Unidos que analisa o processo de dois norte-americanos detidos no estado de Massachusetts em 20 de maio, a pedido do Japão.

O Ministério Público (MP) de Tóquio acredita que Michael Taylor, de 59 anos, e o filho Peter, de 27, juntamente com uma terceira pessoa de origem libanesa, "contribuíram para a fuga" de Ghosn, sabendo que o ex-presidente da Nissan não podia deixar o Japão.

Segundo o jornal japonês, citado pela agência de notícias Efe, os documentos apresentados em Massachusetts indicam que em outubro de 2019 Ghosn fez duas transferências de uma conta bancária em Paris, num total de 862.500 dólares (cerca de 763.755 euros), para a empresa Promote Fox, liderada por Peter Taylor.

Estas transferências são as primeiras provas que demonstram ligações entre o ex-presidente da Nissan e as pessoas que alegadamente o ajudaram na fuga.

Ghosn foi detido em Tóquio em 19 de novembro de 2018, acusado de irregularidades financeiras durante o mandato à frente da Nissan.

O empresário acabou por fugir do Japão a partir do Aeroporto Internacional de Kansai, Osaka, meses antes do início do julgamento. Em Beirute, declarou aos jornalistas que era inocente e atribuiu a sua detenção em Tóquio a conflitos internos na Nissan.

Com tripla nacionalidade (francesa, brasileira e libanesa), Ghosn não passou por nenhum controlo de migração no Japão, pois, segundo fontes próximas do ex-presidente da Nissan, conseguiu esconder-se dentro de um baú para entrar no avião.

Ghosn entrou no Líbano com um passaporte francês e um documento de identificação libanês, segundo as autoridades daquele país.

No dia 3 de julho, o Japão pediu aos Estados Unidos para extraditar os dois norte-americanos que terão ajudado o ex-presidente da Nissan a fugir.

O Ministério Público japonês garante que ambos, juntamente com uma terceira pessoa, de origem libanesa, "contribuíram para a fuga" de Ghosn, sabendo que este não poderia deixar o país asiático, sendo responsáveis por violar as leis de migração e esconder um acusado pela Justiça.

/ SS