O governo de Hong Kong prevê uma recessão de 1,3% este ano, naquela que poderá ser a primeira contração anual da economia desde 2009, numa altura em que o território assiste a uma grave crise social e política.

Só no terceiro trimestre, o Produto Interno Bruto (PIN) da ex-colónia britânica caiu 3,2%, entrando em recessão técnica pela primeira vez nesta década, já que nos três meses anteriores a economia também havia diminuído 0,4%.

Citado pela imprensa local, Andrew Au, economista do Governo, indicou que as manifestações que duram há mais de cinco meses no território atingiram vários setores da economia.

A agitação social e a crescente violência nos últimos meses afastaram os turistas, afetaram fortemente o consumo e o sentimento dos investidores”, afirmou, citado pela emissora RTHK.

O mesmo responsável indicou que recentes inquéritos apontam para um sentimento empresarial “muito pessimista”, já que os protestos têm escalado e não há sinais de abrandamento.

O governo também confirmou que o território entrou mesmo em recessão técnica, confirmando os números preliminares para o terceiro trimestre divulgados no final do mês de outubro.

Segundo o mesmo responsável, o enfraquecimento da economia vai levar a um ‘pico’ da taxa de desemprego, que irá afetar sobretudo os trabalhadores menos qualificados.

As manifestações em Hong Kong começaram em junho, após uma proposta de emendas a uma lei de extradição, já retirado pelo governo, mas que espoletou num movimento que exige uma reforma dos mecanismos democráticos de Hong Kong e uma oposição à crescente interferência de Pequim.

A violência intensificou-se recentemente na sequência de duas mortes ligadas às manifestações. Manifestantes antigovernamentais vestidos de negro continuavam a ocupar vários 'campus' universitários, pelo quinto dia consecutivo, enquanto várias estradas estão bloqueadas.

/ AG