A procuradoria do estado alemão de Schleswig-Holstein fez saber na manhã desta terça-feira que Carles Puigdemont, ex-presidente da Catalunha, que se exilou na sequência dos acontecimentos provocados pelo referendo realizado a 1 de outubro, deve ser extraditado para Espanha, onde deverá enfrentar a justiça.

Retido na Alemanha, Puigdemont deverá continuar em liberdade sob fiança, já que, segundo a procuradoria, não há perigo de fuga.

A acusação considera antes que Puigdemont é culpado pelos crimes de rebelião e alteração da ordem pública em Espanha.

A decisão sobre a extradição do líder catalão será agora tomada pelo Tribunal Regional Superior do estado localizado no norte da Alemanha.

Braço de ferro em Barcelona

O eleito novo presidente da Catalunha, Quim Torra, confesso apoiante do exilado Puigdemont, mantém-se entretanto empenhado em formar um novo governo para a região, desafiando o poder de Madrid.

O primeiro-ministro espanhol Mariano Rajoy exige que Torra forme um governo viável para a Generalitat, após o eleito presidente ter incluído quatro ex-conselheiros atualmente detidos no novo executivo.

Esta terça-feira, o juiz Pablo Llarena do Supremo Tribunal espanhol negou a libertação dos ex-conselheiros catalães Josep Rull e Jordi Turull, nomeados para o novo governo, justificando haver um risco de reiterado de atividade delituosa, "aumentado pela vontade expressa do presidente da Generalitat, Quim Torra, de proclamar a república catalã".

Antes, o governo espanhol impediu a publicação no diário oficial da Generalitat do elenco do novo executivo designado por Quim Torra, que deverá ser empossado na quarta-feira.

Em resposta, Quim Torra revelou na manhã desta terça-feira, numa entrevista à rádio catalã RAC1, ter enviado uma carta a Mariano Rajoy para que concretize quais os "problemas jurídicos" que impedem a publicação do decreto com os nomes dos membros da nova Generalitat.

Quarta-feira, Quim Torra, fiel a Puigdemont e ultra-defensor da indepenência da Catalunha, deverá ser empossado como novo presidente da Generalitat. Esta manhã, revelou que irá remeter cartas aos chefes de governo dos países da União Europeia e da EFTA, denunciando que a região vive "um momento de regressão democrática com os direitos nacionais, sociais e cívicos absolutamente ameaçados".