O mundo segue um caminho "catastrófico" para o aumento da temperatura média de 2,7 graus centígrados até ao final do século, alertou, esta sexta-feira, o secretário-geral da ONU, António Guterres.

Enfrentamos uma emergência. A menos que haja reduções imediatas, rápidas e em grande escala nas emissões de gases de efeito estufa, não seremos capazes de limitar o aquecimento global a 1,5 °C", afirmou.

 

A comunidade internacional comprometeu-se a combater as emissões de gases com efeito estufa, mas essas promessas "estão a avançar na direção errada". 

Os números globais das emissões de gases com efeito de estufa estão a avançar na direção errada", insistiu Patricia Espinosa, chefe da ONU para o clima, numa conferência de imprensa.

O Acordo de Paris visa limitar o aumento das temperaturas globais a 2 ºC acima dos níveis pré-revolução industrial e continuar os esforços para limitar esse aumento a 1,5 ºC.

O não cumprimento deste objetivo será medido na perda maciça de vidas e meios de subsistência", salientou Guterres.

A temperatura média da Terra será 1,5 ºC mais elevada por volta de 2030, uma década antes do que se previa há apenas três anos.

A ONU explicou, esta sexta-feira, que as atuais promessas de 191 países tornam as suas emissões 16% mais altas no final da década, do que em 2010. No entanto, Patricia Espinosa acredita que existe um "raio de esperança", já que 113 países atualizaram as suas promessas, incluindo os Estados Unidos e a União Europeia.

Os Grandes emissores 

Com o aumento de apenas 1,1 ºC, o mundo tem se deparado com a intensificação dos desastres climáticos, desde ondas de calor, inundações repentinas a incêndios florestais.

O maior emissor do mundo, a China, prometeu que irá alcançar emissões líquidas zero até 2060, contudo ainda não entregou as  suas metas e ações para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa de 2030.

Mohamed Adow, diretor do think tank Power Shift Africa, afirmou que o relatório da ONU acusou principalmente as 20 maiores economias do mundo (G20) de serem responsáveis ​​pela maior parte das emissões.

Eles são os países que causaram esta crise e ainda não estão a mostrar a liderança necessária para nos tirar dessa confusão", expressou Mohamed Adow.

Outra questão em cima da mesa é a promessa das nações ricas de fornecer financiamento climático anual de 100 mil milhões de dólares a partir de 2020 para os países mais pobres, que suportam o maior impacto do aquecimento.

A luta contra as mudanças climáticas só terá sucesso se todos se unirem para promover mais ambição, mais cooperação e mais credibilidade. É hora de os líderes se levantarem e agirem, ou as pessoas em todos os países pagarão um preço trágico", salientou António Guterres.

Redação / IC