Farooq Ahmad Dar, de 26 anos de idade, foi atado à frente de um jipe 4x4 do exército indiano, em abril último, na região de Caxemira. A imagem do homem, civil, usado como “escudo humano” correu mundo e foi alvo de duras críticas e condenações devido à violação dos mais básicos direitos humanos. O assunto volta a ser notícia depois de um general indiano defender, este domingo passado, a ação dos militares e o major que ordenou o ato "elogiado".

Segundo escreve o The Guardian, o general Bipin Rawat considerou que o conflito em Caxemira “é uma guerra suja” e, por isso, “é preciso inovações”. O veículo circulou na região, com o civil atado na frente do veículo, por forma, a impedir os manifestantes de atacarem o jipe militar, durante violentos protestos. 

Eu gostava que estas pessoas, em vez de nos atirarem pedras, disparassem armas contra nós. Aí ficaria feliz, porque aí poderia fazer aquilo que quero”, terá afirmado à agência de notícias Press Trust of India.

Ainda segundo o jornal britânico The Guardian, o general terá expressado a sua frustração perante as pressões que os seus soldados enfrentam, já que são obrigados a policiar o seu próprio povo, numa região que o próprio governo descreve como “parecida com guerra”.

O homem que aparece atado ao jipe, contou numa entrevista que foi detido pelos militares quando passava numa cidade onde um grupo de mulheres estaria a atirar pedras aos soldados. Garante que foi agredido, atado a um pneu e conduzido durante cinco horas pelas aldeias circundantes.

 

Na semana passada, o major que ordenou que Farooq Ahmad Dar fosse atado ao jipe e usado como “escudo humano”, foi premiado pelo seu trabalho na região. Após a recomendação superior, o militar foi autorizado a falar aos jornalistas e explicar o sucedido. Nitin Leetul Gogoi garante que ordenou que Farooq Ahmad Dar fosse preso para prevenir a escalada da violência e porque este estava a instigar os manifestantes.

Já o general Bipin Rawat, que determinou a recomendação do major apesar de estar a correr uma investigação e defendeu a medida como "inovação", defendeu a decisão e justificou que “era preciso levantar a moral dos homens”.

Em 1947, a região de Caxemira foi disputada pela Índia e pelo Paquistão. Acabou por ser dividida entre os dois países. Apesar do acordo, grupos de separatistas querem a independência da região controlada pelos indianos ou sua anexação ao Paquistão. A situação terá piorado no início dos anos 90, para voltar a acalmar com a promessa de um diálogo de paz. O assunto acabou por ser esquecido e, nos últimos tempos, as manifestações voltaram a reacender. No ano passado, entre julho e agosto, morreram cerca de 100 pessoas na região.