Os Verdes planeiam investir numa coligação com o SPD e os Democráticos Liberais (FDP) para formar governo na Alemanha, anunciou a líder do partido, Annalena Baerbock numa conferência de imprensa esta quarta-feira.

Temos conversado sempre de forma objetiva, construtiva e verdadeira com todos os partidos”, começou por salientar Baerbock, acrescentando que o objetivo do partido, neste momento, chegar à solução semáforo. "Chegámos à conclusão de que é agora lógico continuar as discussões com o SPD e o FDP, com uma procura mais aprofundada de terreno comum".

Depois de terem sido conhecidos os resultados das eleições federais, no dia 26 de setembro, os Verdes e o Partido Democrático Liberal começaram por explorar possíveis linhas de compromisso, antes de iniciarem negociações com o SPD, bem como com a CDU.

No dia 5 de outubro, Annalena Baerbock e Armin Laschet (CDU) apareceram juntos nos holofotes para garantir que a chamada coligação Jamaica estava em cima da mesa e que as negociações estariam a ser “construtivas”.

Apesar da pressão sobre Armin Laschet da CDU para renunciar à sua reivindicação de um lugar no governo depois de o antigo partido de Angela Merkel ter alcançado o seu pior resultado histórico, Armin laschet parece determinado em solucionar o impasse com uma aliança com os Verdes e os liberais.

Também o co-líder dos Verdes, Robert Habeck anunciou na semana passada que, embora seja com o SPD que existem maiores pontos de concordância, a CDU “tem estado a tentar com afinco” e que uma coligação Jamaica “ainda não foi totalmente rejeitada”.

Além disso, uma discussão sobre a partilha de detalhes da reunião da CDU com o liberais no domingo com a imprensa - supostamente do lado da União - fez com que tanto os verdes quanto os líderes do FDP questionassem o profissionalismo do bloco de centro-direita. Pouco antes das negociações de terça-feira, o deputado Cem Özdemir (Verdes) disse que as fugas de informação eram um "sinal de problemas internos de liderança".

Para o FDP, as diferenças de política são muito mais fáceis de transpor com a CDU do que com o SPD. Porém, os seus líderes não perderam tempo a criticar o partido de Laschet - um possível sinal de que os democratas liberais estão a preparar o terreno para abandonar aqueles que seriam os aliados mais próximos no espectro político, em favor de negociações com o SPD.

Horas mais tarde foi anunciado que o SPD vai realizar conversações preliminares na quinta-feira com os liberais e os Verdes, para tentar formar uma coligação governamental.

"Acabo de propor ao senhor [Olaf] Scholz [líder do SPD], de acordo com os Verdes, que nos encontremos amanhã [quinta-feira], para uma discussão entre nós os três, e esta terá lugar", anunciou o presidente do FDP, Christian Lindner, numa conferência de imprensa.

"Para nós, uma coligação 'jamaicana' [com os democratas-cristãos] continua a ser uma opção viável em termos de conteúdo", disse, no entanto, Lindner, citado pela agência de notícias France-Presse.

O SPD, liderado por Olaf Scholz, venceu as eleições parlamentares alemãs de 26 de setembro, com 25,7% dos votos, enquanto a CDU/CSU, liderada por Armin Laschet, obteve 24,1% dos votos.

Foi o pior resultado eleitoral dos conservadores desde 1949.