Os inspetores internacionais já não podem aceder às imagens de vigilância das instalações nucleares do país, informou o Irão, quando em Viena se tenta salvar o acordo nuclear entre Teerão e as potências mundiais.

As declarações foram feitas pelo porta-voz do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, na televisão estatal.

A República Islâmica está a enriquecer e a armazenar urânio a níveis muito superiores aos permitidos pelo seu acordo nuclear de 2015.

A este respeito, e com base no facto de expirar o prazo de três meses, definitivamente a Agência Internacional de Energia Atómica [AIEA, na sigla em inglês] não terá o direito de aceder a imagens", disse Mohammad Bagher Qalibaf.

Ao abrigo do chamado "Protocolo Adicional" com o Irão, a AIEA "recolhe e analisa centenas de milhares de imagens captadas diariamente pelas suas sofisticadas câmaras de vigilância", indicou a agência em 2017.

A agência também disse então que tinha colocado "2.000 selos à prova de adulteração em material e equipamento nuclear".

O parlamento do Irão aprovou em dezembro um projeto de lei que previa suspender parte das inspeções das Nações Unidas às suas instalações nucleares, se os signatários europeus não aliviassem as sanções petrolíferas e bancárias até fevereiro.

A AIEA celebrou então um acordo de três meses com o Irão para que este país mantivesse as imagens de vigilância, com Teerão a ameaçar eliminá-las posteriormente se não tivesse sido alcançado qualquer acordo.

Qalibaf assinalou ainda que o líder supremo do Irão, Ayatollah Ali Khamenei, que tem a última palavra sobre todos os assuntos de Estado, apoiou a decisão.

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