Os centros de detenção de migrantes no sul dos Estados Unidos estão a tornar-se em verdadeiras “bombas-relógio”, com ocupações excessivas, pessoas amontoadas e em períodos longos, constituindo riscos para a saúde e bem-estar dos próprios migrantes, com dos que os rodeiam. Esta é a descoberta de uma agência interna norte-americana, que pediu às autoridades ação imediata.

De acordo com o relatório da instituição, a “sobrelotação perigosa” está a acontecer em pelo menos sete abrigos no vale do Rio Grande, no sul do Texas.

A agência divulgou fotos que comprovam o excesso de ocupação dos centros. Diz o relatório, por exemplo, que numa cela para 40 homens estão “amontoadas” 51 mulheres e, noutra, onde devia estar um máximo de 41 mulheres, estão atualmente 71 homens.

Preocupa-nos que a sobrelotação e detenções prolongadas representem um risco imediato à saúde e segurança dos agentes e oficiais [do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos] e de todos os que estão detidos”, lê-se no relatório do Office of Inspector General, a agência estatal, a que a BBC teve acesso.

Nos centros, os inspetores descobriram que 30% das crianças tinham estado detidas mais do que as 72 horas permitidas. Algumas não tiveram sequer acesso a banhos, refeições quentes ou roupa lavada.

Quando os migrantes olhavam para nós, batiam nos vidros das janelas, gritavam, mostravam-nos papéis com o tempo que já passaram ali, apontavam para marcas para que percebêssemos que estavam detidos há muito tempo”, como as barbas longas, esclarece o relatório.

O documento explica ainda as estratégias que os migrantes usam para poderem ser libertados. Dizem os inspetores que muitos entopem as retretes com meias ou lençóis para que as obras de reparação os retirem das celas.

Os inspetores desafiam o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) a tomar “medidas imediatas para aliviar a sobrelotação perigosa” naqueles casos.

De acordo com a Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA, Rio Grande tem o maior volume de migrantes da fronteira a sudoeste do país, com 250 mil apreensões já registadas este ano, um aumento de 124% em relação ao ano passado.

Na terça-feira, o DHS afirmou que vai construir até ao fim de julho duas tendas para albergar os migrantes.