O cessar-fogo na Síria entrou em vigor às 22:00 de Lisboa, ao abrigo do acordo sob os auspícios da Rússia e da Turquia. Mas, apenas duas horas depois do seu início, confrontos entre o regime e os rebeldes terão violado a trégua, segundo informaram o Observatório Sírio dos Direitos Humanos e um oficial dos rebeldes.

O Observatório Sírio dos Direitos Humanos avança que foram os rebeldes que violaram a trégua, ao tomarem o controlo de uma área na província de Hama.

Mas um oficial dos rebeldes, Mohammed Rasheed, citado pela Reuters, disse que foram as forças governamentais que violaram o acordo, com bombardeamentos nas vilas de Atshan e Skeik, na província de Idlib, que faz fronteira com Hama. 

Já esta manhã, o Observatório Sírio dos Direitos Humanos garantiu que foram apenas estes pequenos incidentes a violar o cessar-fogo e que, neste momento, "a calma geral continua".

O acordo de cessar-fogo tinha sido anunciado esta quinta-feira pelo Presidente russo, Vladimir Putin, e confirmado pelas Forças Armadas sírias e a oposição.

O chefe de Estado turco, Recep Tayyip Erdogan, cujo país apoia os rebeldes, disse que o acordo era uma “oportunidade histórica” para acabar com a guerra que provocou milhares de mortos e milhões de refugiados.

O ministro dos Negócios Estrangeiros sírio, Walid Muallem, considerou que era uma “oportunidade real” para encontrar uma “solução política” para o conflito.

O anúncio da trégua surgiu uma semana depois de o regime de Bashar al-Assad ter assumido o controlo da cidade de Alepo.

O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, anunciou esta quinta-feira, durante uma intervenção na televisão, que o regime sírio e os rebeldes assinaram um cessar-fogo e acordaram começar conversações de paz, no seguimento de negociações mediadas pela Rússia e pela Turquia durante os últimos meses.

De acordo com Vladimir Putin, as autoridades de Damasco e a maioria da oposição armada assinaram um documento sobre um cessar-fogo na Síria e também um anúncio sobre a sua disposição para começar as conversações de paz.

Em setembro, um acordo de tréguas durou apenas uma semana, até vários incidentes violentos terem feito cair o cessar-fogo.

Uma outra trégua tinha sido alcançada em fevereiro, sendo ambos mediados pelos Estados Unidos e pela Rússia.

A Rússia é um dos importantes apoios do Presidente da Síria, Bashar al-Assad, e está a intervir militarmente no conflito desde setembro do ano passado.

Apesar de apoiarem partes diferentes no conflito, e das relações entre os dois países terem piorado depois da Turquia ter abatido um avião russo no ano passado, Ancara e Moscovo têm trabalhado cada vez mais próximos na Síria e em conjunto mediaram o cessar-fogo em Alepo que permitiu, já este mês, que os últimos rebeldes e civis tenham podido sair da cidade.