O Irão saudou esta terça-feira o acordo concluído na segunda-feira no enclave do Nagorno-Karabakh, Cáucaso do Sul, e reiterou a sua exigência sobre a retirada de “todos os combatentes estrangeiros” desta região próxima da sua fronteira.

O Irão acolhe favoravelmente o acordo entre a República do Azerbaijão, a República da Arménia e a Federação da Rússia que conduziu a um cessar-fogo”, indica um comunicado do ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano.

Teerão pretende que esta trégua “se concretize em medidas definitivas que permitam estabelecer uma paz duradoura no Cáucaso de forma a permitir o regresso da calma e da prosperidade para as populações de todos os países da região e que contribua para apaziguar as atuais inquietudes”, acrescenta o texto.

A República islâmica do Irão insiste na necessidade (…) de retirada de todas as forças ‘takfiri’ e de todos os combatentes estrangeiros da região”, assinala o ministério.

O termo “takfiri” é utilizado pelas autoridades iranianas para designar os ‘jihadistas’ sunitas. Deriva da palavra árabe “takfir” (anátema), acusação utilizada por estes extremistas como justificação da violência contra os que definem de ímpios.

Após seis semanas de combates mortíferos no Nagorno-Karabakh, enclave separatista de maioria arménia em território do Azerbaijão, foi assinado na noite de segunda-feira um “cessar-fogo total” entre Baku e Erevan sob a égide da Rússia.

Moscovo começou hoje a deslocar cerca de 2.000 soldados para manter a paz na região, ao anunciar descolagem dos primeiros seis aviões de transporte de forças de manutenção da paz russos para o Nagorno-Karabakh, num total de 1.960 militares, 90 blindados e 380 veículos.

O acordo consagra importantes vitórias militares do Azerbaijão naquela região montanhosa do Cáucaso, hoje habitada quase exclusivamente por arménios, que declarou independência do Azerbaijão após uma guerra no início da década de 1990 que provocou cerca de 30.000 mortos e centenas de milhares de refugiados.

Na sequência da uma guerra que provocou 30.000 mortos e centenas de milhares de refugiados, foi assinado um cessar-fogo em 1994 e aceite a mediação do Grupo de Minsk (Rússia, França e EUA), constituído no seio da OSCE, mas as escaramuças armadas permaneceram frequentes.

Desde o fim de setembro passado que se registavam novos combates entre os separatistas arménios apoiados por Erevan e o exército do Azerbaijão.

O acordo, que entrou em vigor às 21:00 TMG de segunda-feira (mesma hora em Lisboa), foi assinado pelo Presidente azeri, Ilham Aliev, e o primeiro-ministro arménio, Nikol Pachinian, assim como pelo Presidente russo, Vladimir Putin, que precisou que os beligerantes mantêm "as posições que ocupam".

Este anúncio motivou manifestações de alegria no Azerbaijão e de cólera na Arménia, onde os manifestantes invadiram durante a noite a sede do Governo e do Parlamento.

O primeiro-ministro arménio disse na rede social Facebook que a assinatura do acordo fora "incrivelmente dolorosa", mas que a decisão se impunha face aos avanços do Azerbaijão.

O governante insistiu já hoje que o acordo lhe foi pedido pelas forças armadas, que identificaram "certos problemas para os quais não há qualquer solução à vista".

Por sua vez, o Presidente azeri proclamou na televisão “a rendição” do seu inimigo, apesar de não ter reconquistado toda a zona do Nagorno-Karabakh.

Este acordo aconteceu depois de as forças do Azerbaijão terem tomado o controlo da cidade estratégica de Shushi, com valor militar significativo por se situar numa região montanhosa, a cerca de 10 quilómetros da capital da região, Stepanakert, e na estrada principal que liga o Nagorno-Karabakh à Arménia.

A região de Nagorno-Karabakh situa-se dentro dos limites do território do Azerbaijão, mas está sob controlo de forças locais etnicamente arménias, apoiadas pela Arménia desde 1994.

A última série de combates começou no dia 27 de setembro e provocou centenas de mortos.

/ CE