Na primeira referência por parte de um oficial marroquino à crise migratória em Ceuta nos últimos dias, o chefe da diplomacia de Marrocos, Nasser Burita, disse que esta vaga se deve "a um contexto de cansaço da polícia marroquina após as festividades do final de Ramadão", mas também "à total inação da polícia espanhola".

Falando sobre a crise migratória, o responsável confirmou que a embaixadora marroquina em Espanha "não regressa enquanto durar a crise, e a crise dura enquanto continuar a sua verdadeira causa", numa clara referência à chegada do líder da Frente Polisário, Brahim Gali, a território espanhol.

O ministro dos Negócios Estrangeiros marroquino denunciou o facto de haver um polícia espanhol por cada 100 agentes marroquinos, na área de fronteira, para explicar a entrada de cerca de oito mil imigrantes ilegais na cidade autónoma de Ceuta, nos últimos dias.

Nasser Burita lamentou "a campanha de hostilidade" por parte dos meios de comunicação social espanhóis, públicos e privados, contra Marrocos, que na sua cobertura noticiosa da crise migratória terão usado "termos inaceitáveis, por vezes com a intervenção de altos funcionários".

O governante disse ainda que a embaixadora marroquina em Espanha, chamada a Rabat para consultas na passada terça-feira, "não regressará enquanto durar a crise, e a crise durará enquanto durarem as suas verdadeiras causas", referindo-se à permissão por parte do Governo de Madrid da entrada em Espanha do líder da Frente Polisario, Brahim Ghali.

Nasser Burita, explicou que a embaixadora em Espanha permanecerá no país, em sinal de protesto pela atitude de Madrid perante Brahim Ghali, considerando a entrada do líder da Frente Polisário em Espanha uma situação "indigna de um Estado de Direito".

A origem desta última crise entre Espanha e Marrocos está relacionada com a permanência em Madrid do secretário-geral da Frente Polisário, Brahim Ghali, por motivos de saúde.

Hoje a ministra espanhola reiterou que Brahim Gali está em Espanha por "razões humanitárias", em circunstância prevista no direito internacional.

Ceuta e Melilha, as únicas fronteiras terrestres da União Europeia com África, são regularmente palco de tentativas de entrada de migrantes, mas a maré humana de segunda-feira não tem precedentes.

A Frente Polisário, considerada como um grupo terrorista por Rabat, reivindica o direito à autodeterminação no Saara Ocidental, território que foi colónia espanhola e posteriormente ocupado pelo Marrocos.

António Guimarães / com Lusa