Pelo menos 126 pessoas morreram, 103 na Alemanha e 23 na Bélgica, na sequência das fortes chuvadas e inundações que estão a assolar parte da Europa Central, segundo o último balanço das autoridades dos dois países.

Na Alemanha, cerca de 40 das mortes registaram-se na região ocidental da Renânia do Norte-Vestefália, a mais populosa do país, e cerca de 60 na vizinha Renânia-Palatinado, onde as águas revoltas criaram um efeito de tsunami.

Só na cidade de Bad Neuenahr-Ahrweiler as autoridades disseram que desconheciam o paradeiro de 1.300 pessoas, embora acreditem que esse número está relacionado com as perturbações na rede telefónica.

O balanço de vítimas, contudo, pode vir a aumentar depois de um número indeterminado de pessoas ter morrido ou desaparecido após um grande deslizamento de terras, que derrubou vários edifícios numa localidade próxima de Colónia.

Na localidade de Erfstadt-Blessem, as casas cederam à força das águas e vários edifícios desmoronaram-se e acabaram por afundar-se nas águas.

A imprensa local, que cita vários membros da comunidade de Erfstadt-Blessem, adianta, por outro lado, que as chuvas diluvianas que estão a assolar o oeste da Alemanha originaram autênticos rios, provocando grandes inundações.

Naquela localidade, apesar de as autoridades locais terem dado o alerta para possíveis inundações, grande parte da população permaneceu nas suas casas.

Com mais este incidente, o número de vítimas mortais devido às fortes chuvas vai subir, depois de, esta manhã, as autoridades locais terem dado conta de que pelo menos 103 pessoas morreram na sequência da intempérie que assola há vários dias parte da Alemanha, elevando para 118 o total de óbitos na Europa.

Por outro lado, falta contabilizar também o número total de pessoas desaparecidas.

Cerca de mil soldados alemães foram mobilizados para ajudar nas operações de resgate e limpeza das cidades e aldeias, que oferecem todos o mesmo espetáculo desolador: ruas e casas debaixo de água, carros virados, árvores arrancadas.

É uma catástrofe, uma tragédia. Receio que só nos próximos dias veremos a extensão total da catástrofe", disse a chanceler alemã, Angela Merkel, na quinta-feira, numa conferência de imprensa em Washington, onde se encontra numa visita oficial.

23 mortos na Bélgica

Na vizinha Bélgica, sobretudo no leste e sul do país, o número de mortes subiu de 12 para 23, havendo ainda desaparecidos.

O presidente da região da Valónia, Elio di Rupo, já admitiu que o total de vítimas pode aumentar.

“Quinta-feira, centenas de pessoas ainda estavam presas dentro das suas próprias casas”, sublinhou o também antigo primeiro-ministro belga.

A Valónia, região francófona no sul da Bélgica, tem sido particularmente afetada e continua, em parte, em estado de alerta de inundações. 

O exército belga já disponibilizou helicópteros para socorrer as pessoas que se encontram em telhados na região de Pepinster (na província de Liège), estando a apoiar as equipas de busca e salvamento dos bombeiros e das forças da ordem.

Mais de 21.000 pessoas estão sem eletricidade na região, depois de, segundo a empresa que gere as redes de distribuição de eletricidade de gás na Valónia, a água ter inundado cerca de 300 postos de distribuição.

Na Suíça, as autoridades locais continuam em alerta máximo nas zonas que circundam os lagos de Biena, Thun e Quatro Cantões, que transbordaram várias vezes nos últimos dias, receando novas inundações face às persistentes chuvas registadas no último mês e meio.

Segundo o centro hidrográfico suíço, os maiores lagos do país, como os de Constança (na fronteira com a Alemanha) e de Leman (junto a França), apresentam um “risco moderado” de cheias, havendo, porém, várias estradas de acesso cortadas ao trânsito.

Em toda a parte da Europa central afetada, espera-se que continue a chover, com o nível do rio alemão Reno e de vários dos seus afluentes a subir perigosamente.

/ CM