A cidade mais populosa de África, onde vivem cerca de 24 milhões de pessoas, está a viver um autêntico cenário de caos: carros e casas submersos, ruas que parecem rios, a economia parada. 

O aumento do nível do mar provocou inundações em Lagos, na Nigéria, e os especialistas alertam que "em breve possa ser impossível viver" no principal centro económico do país. 

Os residentes da cidade a sudoeste da Nigéria estão "acostumados" às cheias que acontecem todos os anos, especialmente na época das chuvas, e que pode decorrer entre os meses de março a novembro. Mas este ano, em meados de julho, o principal distrito comercial da ilha de Lagos está a experienciar as piores cheias dos últimos anos. 

Saí de casa ... não sabia que tinha chovido tanto ... havia trânsito intenso no meu trajeto por causa da cheia.
Quanto mais andava, mais alto o nível da água. A água continuava a subir até cobrir o para-choque do meu carro ... até que entrou no carro", contou uma habitante da cidade à CNN.

Várias fotografias e vídeos que dão conta da situação estão a correr as redes sociais.

As inundações fizeram parar a economia, que se prevê ter um prejuízo de cerca de quatro mil milhões de dólares, mais de três mil milhões de euros, por ano.

Um estudo prevê mesmo que, por volta de 2100, grande parte das cidades costeiras do mundo possam estar submersas. E uma das primeiras poderá ser Lagos, que está apenas a dois metros acima do nível médio do mar.

Mas o que causam as cheias tão recorrentes neste local?

Lagos é uma cidade baixa na costa atlântica da Nigéria. É parcialmente construída no continente e numa série de ilhas.

O aumento do nível médio do mar, devido às alterações climáticas provoca este tipo de catástrofe natural, mas não só.

O instituto de Estudos de Desenvolvimento garante, com base em estudos, que o problema é ainda agravado por "sistemas de drenagem inadequados e mal mantidos e pelo crescimento urbano decontrolado". 

Especialistas afirmam que cidades costeiras baixas em algumas partes do mundo, como é o caso de Lagos, podem estar permanentemente submersas em 2100. Já que se prevê que os niveis globais do mar possam aumentar mais de dois metros até ao final do século. 

De acordo com dados da Agência de Gestão de Emergências da Nigéria (NEMA, na sigla original), mais de dois milhões de pessoas foram afetadas diretamente pelas cheias em 2020.
Pelo menos 69 perderam a vida.

Todos os anos testemunhamos inundações na Nigéria. É um problema que a mudança climática trouxe", disse Ezekiel, porta-voz da NEMA, à CNN.

Redação / IM