São as maiores inundações dos últimos 50 anos. Veneza acordou esta quarta-feira com as ruas do centro histórico completamente alagadas, gôndolas e barcos danificados e edifícios históricos como a Basílica de São Marcos ameaçados pelas águas. Há registo de pelo menos um morto. O cenário é de “devastação” e vai ser declarado o estado de emergência.

O fenómeno conhecido como “acqua alta” (água alta em português) voltou a deixar a cidade italiana em alerta esta terça-feira. Segundo o município, 80% da cidade está inundada devido à maré alta. 

O nível da água no centro histórico subiu tanto que atingiu 187 centímetros de altura às 22:40, um recorde nos últimos 50 anos, apenas superado pelo valor atingido em 1966, que foi de 194 centímetros.

Na Praça de São Marcos, um local emblemático da cidade, a água alcançou um metro de altura e na Basílica de São Marcos os 70 centímetros.  

Há registo de pelo menos um morto devido às cheias: um idoso, de 78 anos, que morreu eletrocutado em casa, em Pellestrina.

As linhas telefónicas foram danificadas e as escolas vão permanecer fechadas. 

O presidente da região de Veneto, Luca Zaia, fala num “cenário de devastação”, segundo o jornal Corriere della Sera.

Estamos perante um cenário apocalíptico e de total devastação. Não estou a exagerar se disser que 80% da cidade está inundada, os danos são inimagináveis”, vincou.

O presidente da câmara de Veneza, Luigi Brugnaro, disse que ia declarar o estado de emergência. O autarca partilhou imagens das inundações no Twitter, considerando que esta é uma “situação dramática” e que ainda é preciso contabilizar os danos.

 

Esta quarta-feira de manhã o nível da água já atingiu os 160 centímetros, alcançando agora cerca de 150 centímetros.

A maré alta em Veneza surge numa altura em que chuva torrenciais atingem o norte de Itália. 

No ano passado, o fenómeno aconteceu 121 vezes, quase o dobro dos registos de 2017.

Apesar de o fenómeno ser frequente na cidade, pode estar a ser agravado pelas alterações climáticas. Por isso, Brugnaro apelou à união dos habitantes contra a crise do clima.

 Precisamos de estar unidos para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas", frisou Brugnaro.