A manchete deste sábado do jornal China Daily, «Clinton em Pequim para procurar consensos», descreve bem a expectativa da liderança chinesa acerca da primeira visita da nova secretária de Estado norte-americana, mas, sobretudo, revelou-se uma acertada antevisão.

Antes de chegar a Pequim, sexta-feira à noite (hora local), a própria Hillary Clinton avisou que as persistentes diferenças políticas com a China, nomeadamente acerca dos direitos humanos, não iriam condicionar a sua agenda, e assim aconteceu.

«É imperioso que os Estados Unidos e China cooperem num vasto leque de questões, desde a economia às alterações climáticas globais, ao desenvolvimento e muito mais», disse Clinton no final das conversações com o homólogo chinês, Yang Jechi.

A primeira representante da nova administração norte-americana a visitar a China considerou «essencial» que os dois países mantenham «uma positiva relação de cooperação».

Além de ter citado vários provérbios chineses, Clinton manifestou «grande apreço pela contínua confiança» dos seus anfitriões nos títulos de tesouro dos Estados Unidos - a China é o maior detentor daqueles títulos, estimando-se que a sua carteira some mais de 650 mil milhões de dólares.

Clinton reafirmou que a defesa dos direitos humanos continua a ser «uma componente essencial da política externa» dos Estados Unidos, mas salientou que eventuais pressões nessa área «não podem interferir» com «a necessidade de diálogo».

A Amnistia Internacional manifestou-se «chocada e decepcionada» com a atitude de Hillary Clinton. Dissidentes chineses, entre as quais a mulher de Hu Jia, Zeng Jinyan, disseram que foram intimidados pela política para não tentarem encontrar-se com a secretária de Estado norte-americana.

Clinton encontrou-se também com o presidente chinês, Hu Jintao, e o primeiro-ministro, Wen Jiabao. A visita de Clinton a Pequim, que abriu os principais noticiários da Televisão Central da China, termina domingo.

É a ultima etapa de um périplo de uma semana pela Ásia, que inclui o Japão, Indonésia e Coreia do Sul, e conclui também a primeira viagem de Clinton fora dos Estados Unidos desde que assumiu o actual cargo.