Estudantes chineses na Austrália estão a ser coagidos por grupos criminosos a simular os seus próprios raptos, como parte de uma elaborada rede de extorsão global que visa comunidades mais vulneráveis a viver no estrangeiro, segundo informações das autoridades.

De acordo com os dados mais recentes, só em Nova Gales do Sul (NSW), oito estudantes foram alvo deste esquema, com os familiares a pagar um total de 2,3 milhões de dólares de resgate, informou a polícia em comunicado.

Num dos casos, o pai de uma estudante chinesa de 22 anos, que está a morar em Sidney, pagou mais de 1,4 milhões de dólares depois de ter recebido um vídeo da sua filha presa num local desconhecido.

De acordo com o agente Peter Thurtell, agente da polícia de NSW, citado pela CNN, os estudantes que foram colocados nesta situação ficaram “traumatizados com o que aconteceu, acreditando que se colocaram a si e aos seus entes queridos em perigo real”.

Um golpe que funciona

Só nos primeiros cinco meses deste ano, 25 famílias enfrentaram este terror, que começa com uma chamada intimidatória de criminosos que se fazem passar por autoridades chinesas.

Os burlões começam por fazer chamadas aleatórias, geralmente a falar em mandarim. Os australianos que não falam chinês desligam, enquanto os estudantes chineses respondem.

Depois começa a intimidação. O burlão convence a vítima de que está envolvida num crime na China e que poderá ser extraditado para o país.

Após serem ameaçados, o golpe final processa-se de duas maneiras, de acordo com as declarações da polícia. Num cenário, as vítimas são coagidas a transferir dinheiro para contas bancárias no exterior. No outro, as vítimas são convencidas a simular o seu próprio sequestro e depois as imagens são enviadas para a família.

Há cerca de 165 mil estudantes chineses na Austrália este ano, embora o número possa ser menor devido à pandemia do novo coronavírus. Segundo dados do governo australiano, o número geralmente oscila entre 200 mil e 210 mil.

Lara Ferin