Uma família inglesa presa no centro da epidemia do novo coronavírus diz estar a "viver o pior pesadelo", depois da mãe não ter permissão para embarcar no avião de resgate.

Sindy viajou com o marido, Jeff, e a filha, Yasmin, para a província de Hubei, na China, para as celebrar do novo ano lunar com o resto da família na vila de Hongtu.

Não havia nenhuma indicação de qualquer perigo. Tudo começou a escalar desde que chegámos,” explicou Jeff.

Dado o alerta da proliferação do vírus, a família contactou Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico, que informou que Sindy não pode regressar ao Reino Unido no voo de evacuação por ter um passaporte chinês, quando esta já tem um visto de residência permanente no Reino Unido desde 2008.

Eu quero estar com a minha família e cuidar deles, especialmente da minha filha, porque eu não sei como dizer-lhe ‘tens de ir sem a mãe”, confessou Sindy ao Jornal Britânico 'The Guardian'.

A China não reconhece dupla nacionalidade: qualquer cidadão que queira obter um passaporte de outro país precisa abrir mão do chinês.

A família de Sindy, que está presa na Vila de Hongtu, a três horas de Wuhan, a cidade mais afetada pelo vírus, esteve sem comunicações por parte das autoridades britânicas durante vários dias. 

Como é que podem colocar uma família nesta posição? Ter de deixar a Sindy na China seria a pior coisa que alguém me poderia fazer. Como é que eu vou dizer à Jasmin que a mãe tem de ficar para trás?”, questionou Jeff.

Sindy confessou ao jornal The Guardian estar desvastada quando descobriu que não poderia voltar ao Reino Unido, e mostrou preocupação com o futuro da filha e do marido.

Isto está a ser muito difícil para nós porque a minha filha só tem nove anos e eu não quero coloca-la em risco ao ficar aqui mais tempo. Mas vamos tentar tudo o que for possível fazer para a tirar daqui, então tomámos a decisão de que a Jasmin e o Jeff vão voltar” disse Sindy.

O mesmo aconteceu com Natalie Francis, de 31 anos, e educadora de infância residente na cidade de York, em Inglaterra.

Natalie foi informada que o filho de três anos, que tem um passaporte chinês, não pode voltar para o Reino Unido no voo de evacuação.

A criança tem os direitos de residência que remetem ao "ato Nacional" de 1981, mas, segundo Natalie, esta documentação não o qualifica como cidadão britânico.

Recebi uma chamada pelas 10:00 da manhã de um homem em Londres, que me disse que eu tinha qualificação para a evacuação, mas que não podem levar o meu filho. E eu disse, ‘ Não há nada que possa fazer? Quer dizer, eu tenho uma carta vossa que diz que o meu filho é um cidadão britânico”, contou Natalie.

Ao qual lhe responderam que qualquer cidadão com documentação chinesa está impedido de juntar-se à evacuação.

Disseram que ninguém com nacionalidade chinesa ou outra nacionalidade não está autorizado a ir. E depois ele voltou a perguntar se ainda assim eu iria querer voltar e eu disse ‘Então, quer que eu abandone o meu filho na China e volte para casa?”, acrescentou a mãe.

O porta-voz do ministério dos negócios estrangeiros britânico avançou com a informação de que o governo está a trabalhar com urgência nas possíveis soluções para resgatar os cidadãos que se encontram em Hubei.

"We are working to make an option available for British nationals to leave Hubei Province.

If you are a British national in Hubei Province and require assistance please contact our 24/7 number +86 (0) 10 8529 6600 or (+44) (0)207 008 1500.#CoronaVirushttps://t.co/n7OOjdKfL8

"O Serviço de Estrageiros está a explorar com urgência as opções para retirar os britânicos que se encontram na província de Hubei. Estamos a terminar com os atrasos, e o FCO irá confirmá-los assim que possível”, alertou, acrescentando que "a nossa prioridade é manter os cidadãos britânicos junto dos membros das suas famílas e temos levantado esta questão às autoridades chinesas"

/ AMA