Um ex-jornalista de um meio de comunicação estatal chinês, que entretanto se tornou num blogger anti-corrupção, foi condenado a 15 anos de prisão.

Chen Jieren foi detido em meados de 2018, depois de publicar dois artigos no seu blogue pessoal, acusando os funcionários da delegação do governo local de Hunan de corrupção.

De acordo com a CNN, na semana passada, um tribunal na província do sul prendeu-o por “provocar distúrbios e criar conflitos”, extorsão, suborno e chantagem, naquilo que um grupo de direitos humanos diz que é uma tentativa de castiga-lo pelo seu discurso político em várias plataformas sociais.

Segundo o tribunal, Chen “atacou e demonizou” o Partido Comunista e o governo ao publicar “informação falsa e especulação maliciosa”.

Censura e várias detenções

A China é o país com mais jornalistas detidos no mundo, segundo um relatório dos Repórteres Sem Fronteiras (RSF) e tem um controlo muito apertado da imprensa no país e censura grande parte dos órgãos de comunicação estrangeiros com recurso à sua tecnologia.

Recorde-se que, em março, a China expulsou jornalistas do New York Times, Washington Post e do Wall Street Journal numa atitude sem precedentes contra a imprensa estrangeira. Pequim afirmou que esta foi uma resposta em relação às restrições impostas por Washington como os media chineses operam nos EUA.

Apesar do caso do Chen não ter qualquer relação com a nova pandemia, a sua detenção é uma confirmação de como a censura na China controla todos os media e a internet, após a crítica de como o país lidou com a informação inicial saída de Whuan em relação ao novo coronavírus.

Ao falar à CNN na semana passada, uma representante dos RSF, Rebeca Vincent, disse que se “houvesse uma imprensa livre na China e se estes denunciantes não tivessem sido silenciados, talvez esta pandemia pudesse ter sido prevenida”.

“Às vezes falamos da liberdade da imprensa de uma forma teórica, mas isto representa o impacto real que pode ter. Isto pode afetar todos nós”, adiantou.

 

Lara Ferin