A cidade de Wuhan, que tem quase nove milhões de habitantes, vai implementar restrições aos transportes a partir de quinta-feira, para tentar impedir que continue a aumentar o número de pessoas contaminadas com a nova forma de coronavírus que terá tido origem num mercado de animais da cidade.

Segundo as agências internacionais, o aeroporto e as estações de comboio serão encerrados e a rede de transportes públicos suspensa: autocarros, metro e o ferry deixarão de circular a partir das dez da manhã, hora local, do dia 23 de janeiro. 

Os residentes de Whuan estão a ser aconselhados a evitar multidões e ajuntamentos e também a não saírem da cidade, a não ser em circunstâncias excecionais, numa semana em que se espera que milhões de chineses viagem pelo país para celebrarem nas cidades natais o ano novo lunar. 

As autoridades chinesas frisam que o país está numa fase determinante de prevenção e controlo da doença.

A Organização Mundial de Saúde decidiu entretanto adiar para quinta-feira a decisão sobre declarar o novo coronavírus com origem na China uma emergência global de saúde pública. Em conferência de imprensa, o diretor-geral da OMS explicou que, dado o rápido desenvolvimento da situação, é necessário recolher mais informação antes de o grupo de peritos tomar uma decisão. 

A decisão de declarar ou não uma emergência internacional de saúde pública é uma decisão que levo extremamente a sério e que só estou preparado para tomar com análise adequada de todas as provas", disse Tedros Adhanom, o líder da OMS.

Decidi pedir ao comité de emergência para se reunir  amanhã novamente e continuar a discussão”

Numa curta declaração, Tedros Adhanom agradeceu a colaboração das autoridades de saúde da China, acrescentando que a equipa da OMS está a trabalhar no país com peritos e responsáveis locais para investigar o surto. 

O Comité de Emergência da OMS, formado por especialistas de diversos países, incluindo epidemiologistas chineses, esteve reunido na sede da organização, em Genebra, na Suíça, sem chegar a um consenso, pelo que decidiu voltar a reunir-se na quinta-feira, indicou também o presidente do órgão de peritos, Didier Houssin, citado pela agência noticiosa espanhola Efe.

Na conferência de imprensa em que também esteve presente o diretor-geral da OMS, Didier Houssin reconheceu que houve uma divisão de 50% dos membros do Comité no momento de declarar a emergência de saúde pública internacional.

A emergência de saúde pública internacional supõe a adoção de medidas preventivas a nível mundial e foi declarada para as epidemias da gripe H1N1, em 2009, dos vírus Zika, em 2016, do Ébola, que atingiu uma parte da África Ocidental, de 2014 a 2016, e a República Democrática do Congo, desde 2018, e do pólio, em 2014.

O novo coronavírus (família de vírus), que causa pneumonias virais, foi detetado na China em dezembro e já infetou mais de 400 pessoas e provocou a morte a pelo menos 17.

O vírus em causa é transmitido entre animais e passou para os seres humanos, havendo já registos de transmissão pessoa a pessoa, mas ainda em circunstâncias não totalmente fundamentadas.

Os primeiros casos do coronavírus "2019 – nCoV" apareceram na cidade chinesa de Whuan, quando começaram a chegar aos hospitais pessoas com uma pneumonia viral (infeção nos pulmões causada por um vírus).