Uma rede social chinesa apagou na quinta-feira uma mensagem conciliatória enviada pelo primeiro-ministro australiano à comunidade chinesa na Austrália, numa altura de crescentes tensões entre Pequim e Camberra.

A aplicação WeChat, semelhante ao WhatsApp, e desenvolvida pelo grupo chinês de tecnologia Tencent, removeu a mensagem de Scott Morrison dirigida aos mais de um milhão de descendentes de chineses na Austrália, ilustrando a capacidade do regime chinês de exportar censura.

O incidente ocorreu após a reação da Austrália a uma montagem difundida por um diplomata chinês no Twitter, que mostra um soldado australiano a empunhar uma faca na garganta de uma criança afegã, numa referência a um inquérito sobre crimes de guerra realizado pelo exército australiano.

A publicação da imagem falsa de um soldado australiano não diminui o nosso respeito e apreciação pela comunidade australiano-chinesa, nem diminui a nossa amizade pelo povo da China", escreveu Morrison, na sua conta pessoal no WeChat.

Mas o WeChat removeu a mensagem e substituiu-a pela mensagem padrão: "Não é possível visualizar este conteúdo porque viola os regulamentos".

O aviso acrescenta que a mensagem foi apagada por conter "texto, fotos ou vídeos que enganam ou são contrários a factos objetivos, distorcendo acontecimentos históricos ou confundindo o público".

O Wechat, que tem mais de mil milhões de usuários, a maioria na China, une as funções de rede social, serviço de mensagens instantâneas e carteira digital.

A 'app' é a principal ferramenta de comunicação para muitos chineses a viverem fora da China.

À semelhança de outras plataformas com sede na China, o WeChat está submetido à censura generalizada de conteúdo considerado politicamente sensível pelo Partido Comunista Chinês, partido único do poder no país asiático.

Em agosto, o Presidente norte-americano, Donald Trump, emitiu uma ordem executiva a proibir o WeChat por questões de segurança, embora um juiz do Estado da Califórnia tenha bloqueado temporariamente a ordem um mês depois.

O Twitter recusou um pedido de Camberra para apagar a montagem difundida por Zhao Lijian, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China.

Nos últimos meses, o relacionamento entre Camberra e Pequim deteriorou-se rapidamente.

A Austrália excluiu o grupo chinês das telecomunicações Huawei das suas redes de quinta geração (5G) e solicitou uma investigação independente sobre a origem do novo coronavírus.

A China, o maior parceiro comercial da Austrália, retaliou ao suspender as importações de um grande número de produtos australianos, incluindo carne, cevada e madeira.

/ CE