O número de mortos na China devido ao surto de coronavírus detetado na cidade de Wuhan, no centro do país, subiu para 26 e o de casos confirmados aumentou para 830.

A China anunciou a morte de uma pessoa devido ao coronavírus, perto da fronteira com a Rússia, a segunda fora do epicentro do surto, com origem na cidade de Wuhan. A vítima em causa morreu em Heilongjiang (nordeste), uma província na fronteira com a Rússia, disseram autoridades locais à agência de notícias France-Presse sem fornecerem mais detalhes.

Esta província está localizada a mais de 1.800 quilómetros da cidade de Wuhan.

Horas antes, a comissão de saúde de Hebei, uma província que faz fronteira com Pequim, disse que um homem de 80 anos morreu após regressar de uma estadia de dois meses em Wuhan.

A grande maioria dos casos ocorreu dentro e ao redor de Wuhan ou de pessoas com conexões na cidade. No entanto, o coronavírus já foi registado em 29 das 31 províncias da China.

Além da China continental, foram já detetados casos em Macau, Tailândia, Taiwan, Hong Kong, Coreia do Sul, Japão e Estados Unidos.

As autoridades chinesas consideram que o país está no ponto "mais crítico" no que toca à prevenção e controlo do vírus e colocaram em quarentena, impedindo entradas e saídas, três cidades onde vivem mais de 18 milhões de pessoas — Wuhan, a as vizinhas Huanggang e Ezhou.

Num esforço sem precedentes para tentar travar a propagação, cancelaram também as comemorações do Ano Novo chinês em várias localidades, incluindo a capital, Pequim.

China está a construir hospital em Wuhan para tratar pacientes infetados

A região metropolitana de Wuhan, epicentro do coronavírus chinês, está a construir um hospital de 25.000 metros quadrados para acolher pacientes do surto.

O hospital especial preparado para para acomodar 1.000 camas, com abertura prevista para 3 de fevereiro, reúne recursos médicos para fornecer tratamento isolado e eficiente para pacientes infetados, de acordo com a agência de notícias estatal chinesa Xinhua.

Os pacientes com coronavírus estão a ser tratados em vários hospitais e em 61 clínicas em Wuhan, informou a mesma agência.

No tratamento e controlo da SARS, ou Síndrome Respiratória Aguda Grave, que se espalhou rapidamente no continente chinês entre 2002 e 2003, Pequim construiu o Hospital Xiaotangshan, um centro médico temporário no subúrbio norte da cidade.

Em 2003, o Hospital Xiaotangshan foi construído em sete dias. O hospital admitiu um sétimo dos pacientes com SARS no país em dois meses.

Para combater este novo surto, a China criou ainda uma equipa nacional de pesquisa de 14 especialistas para ajudar a prevenir e controlar o mais recente surto de coronavírus na China, anunciou hoje o Ministério da Ciência e Tecnologia.

A equipa de pesquisa de antivírus faz parte do projeto de ciência e tecnologia de emergência do Ministério, que foi lançado em conjunto com a Comissão Nacional de Saúde e outros departamentos.

Segundo a Xinhua, o projeto serve para dar suporte científico em matérias rastreamento de vírus, transmissão, métodos de deteção, evolução do genoma e desenvolvimento de vacinas.

Macau adia reinício das aulas

As autoridades de Macau adiaram o reinício das aulas nas escolas do ensino não superior pelo menos durante uma semana devido ao coronavírus chinês de Wuhan, anunciou a Direção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ).

“Face à situação epidemiológica de pneumonia do novo tipo de coronavírus, de Wuhan, a DSEJ anunciou que, após os feriados do Ano Novo Lunar, o reinício das aulas, nas escolas do ensino não superior de Macau, será efetuado no dia 10 de fevereiro de 2020 (segunda-feira) ou em data posterior”, pode ler-se no ‘site’ da direção.

A DSEJ sublinhou ainda que “as escolas devem fazer os preparativos necessários para que os alunos realizem as suas aprendizagens em casa”.

Por outro lado, as autoridades de educação do território indicaram que os “centros de apoio pedagógico complementar particulares e as instituições da educação contínua devem, também, adiar a data de reinício das respetivas atividades para 10 de fevereiro ou data posterior”.

“A DSEJ continuará a acompanhar, de forma estreita, o desenvolvimento da epidemia, adotando medidas adequadas em tempo oportuno”, refere-se no mesmo texto.

Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde anunciou a ativação dos dispositivos de saúde pública de prevenção, enquanto o Centro Europeu de Controlo de Doenças elevou para ‘moderado’ o risco de contágio na União Europeia, continuando a monitorizar a situação e a realizar avaliações rápidas de risco.

O Comité de Emergência da Organização Mundial de Saúde (OMS) optou por não declarar emergência de saúde pública internacional, receando que seja demasiado cedo.

Os primeiros casos do vírus “2019 – nCoV” apareceram em meados de dezembro na cidade chinesa de Wuhan, capital e maior cidade da província de Hubei, quando começaram a chegar aos hospitais pessoas com uma pneumonia viral.

Os sintomas destes coronavírus são mais intensos do que uma gripe e incluem febre, dor, mal-estar geral e dificuldades respiratórias, incluindo falta de ar.

/ AM