Os Estados Unidos pediram aos países que realizam as retiradas do Afeganistão que encerrem as suas operações na sexta-feira, segundo a ministra da Defesa belga, Ludivine Dedonder, cujo país já retirou 1.147 pessoas de Cabul.

Em entrevista aos jornais belgas L'Echo e De Tijd, a ministra disse que Washington pediu aos aliados que encerrem as suas operações "o mais rapidamente possível", antes de terem de retirar as suas tropas e o material do Afeganistão.

"No momento, temos até 27 de agosto, mas isso pode mudar. O objetivo, em todo o caso, é tirar as pessoas o mais rápido possível", disse a ministra ao L'Echo, lembrando que este prazo é o mesmo para todas as nações a operar agora em Cabul.

A Bélgica já retirou 1.147 pessoas do país, que foram transferidas da capital afegã para Islamabad, capital do Paquistão, que está a funcionar como base para os voos que depois os levarão à Europa.

Destes, cerca de 700 já chegaram à Bélgica, em três voos desde o início da operação a 20 de agosto.

O mais recente aterrou na manhã de hoje na base aérea de Melsbroek, nos arredores de Bruxelas, com 198 pessoas a bordo. Um segundo voo deve chegar também hoje, com mais 272 pessoas.

Após um início complicado devido à situação caótica em torno do aeroporto de Cabul, onde centenas de pessoas se aglomeram tentando fugir do país depois que os talibãs tomaram a capital, a Bélgica acelerou a retirada que, segundo a ministra da Defesa, "desenvolveu-se relativamente bem, num contexto difícil".

No entanto, Dedonder observou que a situação é "extremamente volátil" e que realmente é preciso celeridade porque “num momento ou outro os portões (do aeroporto de Cabul) vão se encerrar".

“Para o futuro pedimos que, quando formos a um teatro de operações, preparemos a estratégia de saída. Devemos poder sair de outra forma, não apressadamente ou a depender de uma decisão externa”, disse.

A ministra, que não soube informar o número de belgas que ainda aguardam a sua retirada, explicou que neste momento o exército belga não realiza operações fora do aeroporto, à semelhança de outros países, por não ter capacidade para o fazer com segurança.

Até agora, as pessoas têm sido orientadas a deslocarem-se ao aeroporto por meios próprios, mas "à medida que a situação vai evoluindo, estão a ser estudadas todas as opções possíveis", explicou Dedonder.

A ministra não quis confirmar ou negar as informações do canal público VRT, de acordo com o qual a Bélgica teria transportado cerca de 250 pessoas para o aeroporto numa operação secreta sem intervenção militar.

Os talibãs pediram aos cidadãos esta semana para não se deslocarem até ao aeroporto, o que junto com o curto tempo para completar as retiradas faz muitos países temerem que os seus cidadãos ou colaboradores afegãos fiquem retidos no país a partir de 31 de agosto.

Apesar das pressões europeias, expressas na terça-feira na reunião dos dirigentes do G7, o Governo dos Estados Unidos decidiu manter essa data, considerada uma linha vermelha pelos talibãs para a retirada das tropas estrangeiras.

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