A ciência está à procura de uma forma de acabar com a gripe e encontrou nos lamas um grande aliado para desenvolver novos tratamentos. O sangue desse animal sul-americano foi utlizado para produzir uma nova terapia com anticorpos que têm potencial para combater todos os tipos de gripe.

O vírus da gripe muda constantemente de forma a despistar o sistema imunológico. Por essa razão, as vacinas nem sempre são eficazes e, a cada inverno, é necessário receber uma nova injeção para prevenir a doença. E é neste ponto que os lamas podem ajudar a desenvolver uma vacina única, universal, que eliminaria a necessidade deste ritual anual.

Estes animais, nativos dos Andes, têm anticorpos muito pequenos em comparação com os dos humanos. Os anticorpos são a base do sistema imunológico, e aderem às proteínas das superfícies dos vírus.

Os anticorpos humanos tendem a atacar as pontas dessas proteínas, mas essa é a parte em que o vírus da gripe muda com mais rapidez e essas mutações fazem com que os anticorpos não consigam eliminar os vírus rapidamente. Já os anticorpos dos lamas, de tamanho diminuto, conseguem atacar as partes do vírus da gripe que não sofrem mutação e com isso curar vários tipos de gripe.

 

As respostas do sistema imunológico dos lamas

De acordo com a BBC, uma equipa do Instituto de Pesquisa Scripps, nos Estados Unidos, infetou vários lamas com múltiplos tipos de gripe para estimular respostas do seu sistema imunológico. De seguida, analisaram o sangue dos animais para procurarem anticorpos potentes, que poderiam atacar mais vírus.

Os cientistas conseguiram identificar quatro anticorpos diferentes presentes nos lamas. A partir daí, desenvolveram um anticorpo sintético, que une todos os elementos desses quatro anticorpos encontrados.

Numa outra frase do estudo, o anticorpo sintético foi testado em ratos, que receberam doses letais de gripe.

Foram testados 60 tipos de vírus diferentes. Apenas um deles é que não foi neutralizado pelo anticorpo sintético, mas os vírus testados não afetam os humanos”, explicou o professor Ian Wilson, um dos responsáveis pelo estudo. 

 

O objetivo é criar uma proteção que não precise de ser renovada a cada ano, como as vacinas, e que também proteja possíveis pandemias, caso apareçam”, justificou ainda o professor.

A vantagem de um tratamento com anticorpos sintéticos, baseados nos anticorpos mais eficientes dos lamas, é a prevenção mais efetiva da gripe em pessoas com mais idade - em geral, a população mais idosa tem um sistema imunológico mais frágil.

O estudo, que foi publicado na revista científica Science, ainda está em fase de experimentação. Os cientistas pretendem realizar mais experiências antes de fazer testes com humanos.