Um grupo de cientistas chineses desconfia que o pangolim possa ser uma das possíveis fontes de contágio de coronavírus, que já fez 636 mortos na China e já infetou mais de 31 mil pessoas

Esta última descoberta vai ser significativa para a prevenção  e controlo da origem do vírus", escreveu em comunicado a Universidade Agrícola do Sul da China (South China Agricultural University), que realizou o estudo, e que a Reuters teve acesso. 

O pangolim é uma espécie em risco de extinção e é dos mamíferos mais traficados ilegalmente devido às suas escamas e carne. Na Ásia é muito requisitado para comida e medicina tradicional. Por isso mesmo, é um animal protegido pelas leis internacionais.

Tanto a China como Hong Kong têm procurado reprimir o comércio ilegal deste mamífero. Por exemplo, está previsto na lei de Hong Kong que a importação e venda de espécies ameaçadas e os seus produtos possa ser punível com penas de prisão até dez anos e multas superiores a um milhão de euros.

Acredita-se que o surto de coronavírus, designado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como 2019-nCoV, tenha começado num mercado da cidade de Wuhan que vendia animais selvagens. Já foram divulgados outros estudos que apontavam a cobra, o texugo e o rato como possíveis fontes de transmissão do vírus

No entanto, as análises feitas ao genoma do coronavírus de mais de mil pangolins são 99% idênticas ao das pessoas infetadas, o que o torna o "portador intermediário mais provável". Todavia, os cientistas alertaram para o facto de o estudo ainda não ser conclusivo.

Nós só podemos chegar a conclusões definitivas se compararmos a predominância de coronavírus em diferentes espécies com base em amostras representativas, e estas certamente não o são", explicou Dirk Pfeiffer, professor de medicina veterinária na Universidade de Hong Kong. 

E mesmo assim, seria necessário estabelecer um elo de ligação entre os humanos e a comida destes mercados.

A China elevou esta sexta-feira para 636 mortos e mais de 31 mil infetados o balanço do surto de pneumonia provocado por coronavírus detetado em dezembro passado, em Wuhan, capital da província de Hubei, colocada sob quarentena.

Além do território continental da China e das regiões chinesas de Macau e Hong Kong, há outros casos de infeção confirmados em mais de 20 países. Na Europa, o número de casos confirmados chegou quinta-feira a 31, com novas infeções detetadas no Reino Unido, Alemanha e Itália.

A OMS declarou em 30 de janeiro uma situação de emergência de saúde pública de âmbito internacional, o que pressupõe a adoção de medidas de prevenção e coordenação à escala mundial.

/ CE