A jovem ativista sueca Greta Thunberg criticou hoje os líderes mundiais pela inação face às alterações climáticas e acusou-os de lhe roubarem os sonhos e a infância.

Como é que se atreveram? Vocês roubaram-me os sonhos e a infância com as vossas palavras vazias”, disse a jovem defensora do ambiente em Nova Iorque no início da Cimeira da Ação Climática, convocada pelo secretário-geral da ONU, António Guterres.

 

Eu não devia estar aqui, eu devia estar na escola, do outro lado do oceano”, afirmou, emocionada, a jovem que lançou o movimento Greve Mundial pelo Clima quando em 2018 decidiu faltar às aulas para protestar junto ao parlamento sueco contra a inação dos políticos em questões ambientais.

 

No curto discurso que leu na abertura da cimeira Greta Thunberg disse que faz parte do grupo de pessoas com sorte, mas que há gente que sofre e que está a morrer, que há ecossistemas inteiros a desaparecer, e que no planeta se está no início de uma extinção em massa, tudo ao mesmo tempo que os líderes mundiais apenas falam de dinheiro e “dos contos de fadas do crescimento económico eterno”.

Como é que se atrevem?”, insistiu.

A jovem de 16 anos repetiu factos científicos que confirmam o aquecimento global do planeta e condenou os chefes de Estado e de governo presentes na cimeira, para a qual foi convidada pelo secretário-geral da ONU.

Vocês deixaram-nos cair. Mas os jovens começam a compreender a vossa traição”, disse Greta Thunberg, acrescentando: “Se vocês decidiram deixar-nos cair, eu digo-vos: nós nunca vos iremos perdoar. E não deixaremos que vocês se vão embora assim”.

O mundo está a acordar e a mudança a chegar, quer vocês gostem ou não. Obrigado”, concluiu a jovem, muito aplaudida.

O secretário-geral da ONU discursou na abertura da cimeira, afirmando que "ainda não é demasiado tarde" para atender ao que considera a emergência climática mundial, mas advertiu que o tempo está a esgotar-se.

A emergência climática é uma corrida que estamos a perder mas que ainda podemos ganhar. A crise climática é provocada por nós e as soluções devem vir de nós. Temos as ferramentas: a tecnologia está do nosso lado", afirmou o português perante dezenas de líderes internacionais ao abrir a Cimeira da Ação Climática, que decorre hoje na sede da ONU.

 

António Guterres frisou que a cimeira não é para discursos nem negociações, mas para ação, com compromissos concretos.

Pouco antes do início da cimeira, a ONU anunciou que 66 Estados aderiram até agora ao objetivo de neutralidade carbónica em 2050. Os 66 países juntam-se a 10 regiões, 102 cidades e 93 empresas, unidos no objetivo de atingir a neutralidade (não emitir mais gases com efeito de estufa do que aqueles que se conseguem absorver) até meados do século, um objetivo fixado pelos cientistas para conter o aquecimento global.

O Acordo de Paris, alcançado em dezembro de 2015, estipula que os países têm de tratar de conseguir que o aumento global das temperaturas seja inferior a 2.º celsius (na pior das hipóteses, porque o ideal é impedir um aumento superior a 1,5 graus), em relação aos valores médios do século XIX, na era pré-industrial. Até agora a Terra já está um grau mais quente que esses valores de referência.