Meio milhão de pessoas participou esta sexta-feira na Marcha pelo Clima que decorreu em Madrid, segundo um dos organizadores, o movimento Fridays For Future, citado pela agência Efe.

A marcha começou às 18:00 locais (17:00 em Lisboa) perto da Gare de Atocha, percorrendo as principais avenidas do centro da capital espanhola, e terminou na zona dos Novos Ministérios, onde decorreram os discursos de encerramento, incluindo o da jovem ativista ambiental sueca Greta Thunberg.

Muitos dos manifestantes empunharam cartazes com palavras de ordem como "Paremos de usar gasolina", "Não há futuro se destruirmos o nosso planeta" e "Tens de escolher entre o teu carro e o planeta".

A marcha assinalou o início de uma contra-cimeira ou cimeira social, que fez parte da agenda paralela à cimeira do clima da ONU de Madrid (COP25), que termina em 13 de dezembro na capital espanhola.

Greta abandonou marcha em veículo elétrico

A jovem ativista ambiental sueca Greta Thunberg abandonou, entre aplausos e gritos, a Marcha pelo Clima por recomendação da polícia, devido à multidão que a impedia de continuar a andar.

A dada altura do percurso, junto ao Museu do Prado, a adolescente teve de parar devido ao aglomerado de pessoas que a queriam ver, incluindo jovens e famílias com crianças e acabou por abandonar o protesto, que reúne milhares de pessoas, num automóvel elétrico.

Junto ao veículo, a jovem pediu desculpas em inglês e disse que a polícia recomendou que abandonasse a marcha.

Greta encerrou marcha acusando políticos de traição

Greta Thunberg acusou, em Madrid, os políticos de traírem as pessoas, salientando que "têm de fazer o seu trabalho".

Discursou, em inglês, no encerramento da Marcha pelo Clima, que, segundo um dos organizadores, o movimento Fridays For Future, teve meio milhão de participantes. De acordo com a polícia, citada pela agência Efe, o protesto contou com apenas 15 mil pessoas.

Os líderes políticos estão a trair-nos, não vamos deixar que continuem. Dizemos basta, já! A mudança vem, quer gostem ou não", afirmou Greta Thunberg, na zona dos Novos Ministérios, onde terminou a manifestação, enfatizando que "a esperança não reside nas paredes da COP25 [cimeira do clima da ONU de Madrid], mas na rua".

A ativista realçou que os manifestantes saíram da sua "zona de conforto" para "dizer às pessoas com responsabilidades" que têm de "preservar o futuro e as gerações atuais".

A seu ver, a mudança para travar os efeitos da crise climática "não virá dos poderosos", mas das "massas que exigem ação".

Nós é que vamos fazer a mudança", vincou, dirigindo-se a uma multidão, assinalando que é necessário "sair dos espaços das conferências" e "parar esta crise".

Antes de falar em inglês, a jovem sueca agradeceu em castelhano a presença de milhares de pessoas na manifestação.

Greta Thunberg chegou esta manhã a Madrid, após uma viagem de 10 horas de comboio, transporte que apanhou na quinta-feira à noite na Estação de Santa Apolónia, em Lisboa, cidade onde aportou na terça-feira após uma viagem de 21 dias em catamarã desde Nova Iorque, Estados Unidos.