A chanceler alemã defendeu hoje que fixar um preço para as emissões de dióxido de carbono é a melhor maneira de garantir que as indústrias e atividades económicas se empenham em atingir a neutralidade carbónica.

Angela Merkel falava na Cimeira de Líderes Mundiais no âmbito da 26.ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP26).

"Apelo a que se coloque um preço nas emissões de dióxido de carbono, como já fazemos na União Europeia, como a China pretende fazer e como precisamos de aplicar noutros países do mundo. Se o fizermos, podemos garantir que as nossas indústrias, as nossas atividades económicas desenvolvem as melhores tecnologias e métodos para atingirem a neutralidade carbónica", declarou a chefe do Governo alemão.

Angela Merkel salientou que acabar com o uso de combustíveis fósseis como o carvão para produção de energia não depende apenas da ação dos governos.

É preciso, advogou, "mudar a maneira de fazer negócios" e caminhar para uma "transformação abrangente" que encoraje a passagem para "mobilidade e processos industriais sem emissões carbónicas".

A chanceler considerou que se está numa "década decisiva" para esta taxação das emissões, defendendo "mais ambição no desenvolvimento de instrumentos globais que façam sentido economicamente e não sirvam apenas para gastar o dinheiro dos contribuintes".

Biden promete "liderar pelo exemplo” e enfatiza potencial económico

O Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, prometeu hem Glasgow uma “liderança pelo exemplo” no esforço da redução das emissões com efeito de estufa e introdução de energias renováveis, enfatizando o potencial para o crescimento económico. 

Na sua intervenção na Cimeira de Líderes Mundiais da 26.ª conferência do clima das Nações Unidas (COP26), Biden afirmou que o esforço para travar o aquecimento global "é um imperativo moral, mas também é um imperativo económico”. 

O Presidente norte-americano destacou a possibilidade de serem criados novos trabalhos e oportunidades económicas e também a possibilidade de reduzir a atual volatilidade dos preços do gás natural e o custo das faturas de eletricidade. 

“Os preços altos de energia só reforçam a necessidade urgente de diversificar as fontes, reforçando o desenvolvimento limpo”, argumentou. 

Biden prometeu "investimentos históricos em energia limpa”, benefícios fiscais para a instalação de painéis solares e isolarem as casas e aquisição de veículos elétricos, ao mesmo tempo que exaltou o potencial de criação de postos de trabalho no fabrico de painéis e torres eólicas, instalação de cabos para as redes elétricas e produção de sistemas de captura de dióxido de carbono. 

Na sua intervenção, reiterou o compromisso de cortar as emissões de gases com efeito de estufa em 50% a 52% relativamente aos níveis de 2005, equivalentes a mais de uma gigatonelada até 2030, para atingir a neutralidade carbónica até 2050. 

“Queremos demonstrar que EUA não estão apenas de volta à mesa [de negociações], mas vão liderar com o poder do exemplo”, numa referência ao regresso ao Acordo de Paris, do qual o seu antecessor, Donald Trump, se tinha afastado. 

O Presidente norte-americano falava numa sessão de declarações nacionais, abertas a todos os chefes de Estado ou chefes de governo presentes, sobre as suas metas e planos para combater as alterações ambientais. Cada intervenção é suposta durar apenas três minutos, embora Biden tenha ultrapassado o tempo.

/ PP (atualizado às 15:54)