Quinta-feira é dia de estreias no cinema e esta, em especial, ficará marcada pela estreia do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na cimeira da NATO, em Bruxelas, onde será inaugurada a nova sede da organização.

Uma organização que Trump já classificou de "obsoleta" na campanha eleitoral. Porém, ultimamente tem-se mostrado mais conciliador relativamente à mesma, como se vê pela declaração que proferiu em abril, depois de um encontro com o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg:

O secretário-geral e eu tivemos uma conversa muito produtiva sobre o que mais a NATO pode fazer na luta contra o terrorismo. Queixei-me disso há muito tempo, eles mudaram e agora lutam contra o terrorismo. Disse que era obsoleta. Já não é". 

O líder da primeira economia mundial pede aos europeus que respeitem a meta de gastar 2% do Produto Interno Bruto em defesa. 

Portugal ainda não cumpre esse objetivo, sendo que o Governo, representado na cimeira pelo primeiro-ministro, António Costa, espera que não haja “demasiada insistência” na questão orçamental.

Os chefes de Estado e de Governo da NATO reúnem-se então na capital belga, nesta cimeira dedicada ao combate ao terrorismo e à partilha de encargos no seio da Aliança.

Os dois grandes temas em agenda são o aumento das despesas em Defesa pelos europeus e canadianos e um papel maior da NATO no combate ao terrorismo e ao grupo extremista Estado Islâmico em particular.

Ambos foram “exigências” da nova administração norte-americana liderada por Trump, que durante a campanha eleitoral que o levaria à Casa Branca classificou de “obsoleta” a Aliança Atlântica, discurso que entretanto inverteu.

A discussão sobre o reforço do combate ao terrorismo terá lugar três dias depois do atentado na Arena de Manchester, reivindicado pelo grupo extremista Estado Islâmico, que provocou pelo menos 22 mortos e 59 feridos.

Entretanto, a NATO abnunciou que vai juntar-se à coligação internacional contra o grupo radical Estado Islâmico. E fê-lo algumas horas antes da cimeira de estreia de Trump.

Esta decisão, pedida há muito tempo pelos Estados Unidos que lideram a coligação anti Estado Islâmico, "vai enviar uma forte mensagem política de unidade na luta contra o terrorismo", disse o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, em conferência de imprensa.

 Isso não significa que a NATO se vai envolver em operações de combate"

Aquilo que é "mais importante do que nunca"

Ontem, também numa conferência de imprensa, o secretário-geral da organização comentou que depois do ataque em Manchester, “que teve como alvos diretos crianças, jovens e suas famílias”, é mais importante que nunca que “os Aliados enviem uma mensagem de que permanecem unidos na luta contra o terrorismo”.

O outro grande dossiê em cima da mesa é o da partilha de encargos, face à insistência de Washington para que os seus aliados contribuam mais para o financiamento da organização, respeitando o compromisso assumido na cimeira do País de Gales em 2014 de, no espaço de uma década, aumentarem a despesa em Defesa para pelo menos 2% do Produto Interno Bruto (PIB).

Na semana passada, por ocasião de uma reunião em Bruxelas, o ministro da Defesa, José Alberto Azeredo Lopes, disse que Portugal espera que não haja “demasiada insistência” na questão orçamental, no quadro da partilha de encargos entre os membros da Aliança Atlântica, e que seja feita igualmente uma “avaliação qualitativa” dos esforços e contributos do país.

Temos a certeza de que vamos convencer os nossos aliados de que Portugal cumpre essencialmente as suas obrigações e também demonstrarmos que uma avaliação qualitativa do nosso esforço é de elementar justiça, além das (avaliações) métricas e do reforço do investimento, que nós, aliás, temos mais ou menos como adquirido que pode ter que ser reforçado”.

As cerimónias na NATO, incluindo a inauguração simbólica do novo “quartel-general” da organização (que não ficou pronto a tempo de receber esta cimeira), têm início cerca das 16:00 locais (15:00 de Lisboa), e os líderes terão um jantar de trabalho a partir das 17:45, devendo a reunião terminar cerca das 21:00.

A reunião ao mais alto nível juntará 29 líderes – aos 28 países membros junta-se Montenegro, que no início de junho tornar-se-á o 29.º aliado – e que marca também a estreia do recém-eleito presidente francês, Emmanuel Macron, e o regresso a Bruxelas do controverso presidente turco, Recep Tayyip Erdogan.