O aumento da temperatura média nos Pirinéus em 1,2 graus centígrados nos últimos 50 anos faz prever que esta cordilheira perca metade da sua neve até 2050 e, se nada for feito, 80% antes do final do século.

Esta é uma das principais conclusões divulgada hoje durante a apresentação do relatório “As Alterações Climáticas nos Pirenéus: Impacto, Vulnerabilidades e Adaptação”, feito por mais de 100 cientistas de Espanha, França e Andorra, para o Observatório Pirenaico das Alterações Climáticas (OPCC).

O panorama é preocupante, considerando que a subida média da temperatura na cordilheira no sudoeste da Europa cujos montes formam uma fronteira natural entre a França e a Espanha foi de 1,2 graus nos últimos 50 anos. A média mundial foi de 0,85 graus, pelo que o aquecimento dos Pirenéus foi 41% superior.

O coordenador do estudo, Juan Terrádez, destacou na ocasião que metade dos glaciares dos Pirenéus já desapareceu.

De resto, salientou, a “escassez e variabilidade” da disponibilidade hídrica como um dos problemas socioeconómicos mais importantes derivados das alterações climáticas nos Pirenéus, uma vez que diminui a água disponível para a geração de energia hidroelétrica e a produção agrícola.

Acresce que a maior instabilidade climática provoca um aumento dos riscos, como deslizes de terras, inundações e incêndios florestais, bem como episódios de seca e chuvas torrenciais cada vez mais intensos.

Juan Terrádez também explicou que uma das consequências mais relevantes para a fauna e flora regionais é “a falta de sincronia” entre espécies que dependem umas das outras, como os insetos polinizadores e as plantas.

A coordenadora do Observatório, Idoia Arauzo, classificou como “grave” a situação atual nos Pirenéus e reclamou uma “atuação urgente” e a “incorporação das alterações climáticas nas políticas”, porque “estão a ocorrer a uma velocidade muito rápida”.

Os Pirenéus têm “febre”, o que “é um sintoma de que se está a passar alguma coisa”, apontou Idoia Arauzo, que também enumerou os dez desafios das alterações climáticas nos Pirenéus deduzidos do relatório, entre os quais preparar a população para as alterações climáticas, reforçar a segurança perante os riscos naturais e acompanhar a população nos períodos de seca.

A lista dos desafios é completada com a garantia da qualidade da água, manutenção da atratividade turística dos Pirenéus, resposta às mudanças na produtividade e qualidade da produção agrícola, previsão das transformações irreversíveis na paisagem e a possível perda de biodiversidade, adaptação aos desequilíbrios entre oferta e procura energética e enfrentar a propagação de pragas.

A coordenadora do OPCC insistiu na “redução das emissões poluentes” e “adaptação” como formas de enfrentar o problema, e recordou que as alterações climáticas são “mais um fator de pressão” sobre o território, como pode ser a perda de população ou a falta de substituição de gerações na agricultura.

A apresentação do relatório realizou-se um dia antes da reunião da Comunidade de Trabalho dos Pirenéus, que vai decorrer em Saragoça e que integra as comunidades autónomas de Espanha e os departamentos de França unidos pela cordilheira, bem como Andorra.