Mais de mil pessoas foram identificadas e 720 pessoas foram já detidas, neste sábado, para interrogatório devido à sua participação no protesto dos "coletes amarelos" em França. um balanço avançado cerca das 17:30 pelo jornal Le Figaro, que cita as autoridades francesas.

Cerca de 160 pessoas ficaram feridas no protesto deste sábado.

A nível nacional, incluindo os parisienses, temos mais de 700 detenções para uma participação no movimento a meio do dia, que é de 31.000 pessoas no território nacional, dos quais 8.000 em Paris”, indicou o secretário de Estado do Interior, Laurent Nuñez, ao canal televisivo France 2, dando conta de números sensivelmente semelhantes aos do último sábado.

Durante a manhã, a polícia lançou gás lacrimogéneo e disparou canhões de água, já os manifestantes atiraram pedras e petardos. Um cenário que se agudizou durante a tarde, com os agentes da polícia a fazerem dispersar os manifestantes que se concentravam na zona dos Campos Elísios. 

Os manifestantes dispersaram-se assim pelas zonas circundantes, provocando alguns desacatos e incidentes em bairros adjacentes. Grupos de jovens deixaram a zona do Trocadéro e deslocaram-se um pouco mais para Oeste, rumo ao bairro Passy. Várias pessoas foram detidas, testemunhou o conselheiro municipal David Alphand, em declarações ao Le Figaro, publicando também imagens no Twitter. 

Emmanuel Macron deverá prounciar-se esta segunda-feira, confirmou o Eliseu, sem dar grandes pormenores sobre o teor desse pronunciamento. 

Trump fala em "dia e noite tristes"

O presidente norte-americano, Donald Trump, já se manifestou no Twitter, triste pelo "dia e noite" que se vivem em Paris. "Talvez seja tempo de pôr fim ao extremamente caro acordo de Paris e devolver o dinheiro ao povo, baixando os impostos?", escreveu.

Este sábado, pelo menos dois carros foram incendiados, bem como caixotes do lixo e outras estruturas. Algumas montras foram também vandalizadas.

A atuação policial parece revelar uma atitude mais musculada do que a utilizada na última semana. A polícia usou granadas de gás atordoante e canhões de água, evitando assim atitudes mais extremadas por parte dos manifestantes como as que foram tomadas na última semana.

Com maior controlo policial nos Campos Elísios, Arco do Triunfo e Palácio do Eliseu, residência oficial do presidente francês, eram já esperados ajuntamentos importantes na Praça da Bastilha e na zona de Porte Maillot, ponto de chegada a Paris.

Medidas preventivas

As autoridades, temendo o regresso dos tumultos urbanos à capital, reforçaram os controlos nas estações e realizaram buscas sistemáticas junto aos locais de concentração.

Nas ruas do centro de Paris foi, também, retirado quase todo o mobiliário urbano, de modo a que não possa servir de arma aos milhares de manifestantes esperados nos Campos Elísios.

Todas as lojas e restaurantes dos Campos Elísios e das imediações estão fechados e, tal como nos fins de semana passados, os transportes em várias zonas da cidade estão afetados com estações metro e de comboios fechadas durante todo o dia.

O protesto dos "coletes amarelos" levou as autoridades francesas a adotar múltiplas medidas preventivas, designadamente o reforço policial nas ruas, que envolve o desdobramento de mais de 90 mil agentes.

Sem organização formal e sem terem feito o pedido formal de manifestação, o protesto dos "coletes amarelos" em Paris é imprevisível.

Uma delegação de representantes, incluindo figuras como Benjamin Cauchy e Jacline Mouraud, reuniu-se sexta-feira com o primeiro-ministro Édouard Philippe, para tentar encontrar soluções para o impasse negocial que se arrasta há quatro semanas, mas esse gesto não foi acompanhado pela desmobilização da ação de protesto, que começou por ser contra os aumentos dos combustíveis.

A delegação de representantes do movimento "coletes amarelos" tinha feito ao longo da semana vários apelos para que uma quarta manifestação não ocorresse hoje em Paris, para evitar novos distúrbios e confrontos com a polícia.

Medidas de segurança contra "coletes amarelos" divulgadas na Internet

Parte das medidas de segurança das forças policiais planeadas para a manifestação dos “coletes amarelos” foram colocadas na internet.

Segundo fonte judicial, o Ministério Público de Paris abriu uma investigação para identificar a origem da divulgação desta informação.

Um memorando do DSPAP (Departamento de Segurança e Proximidade com a Aglomeração) relativo ao dispositivo foi divulgado na internet. Trata-se de uma nota técnica que foi amplamente distribuída", referiu.

Segundo a mesma fonte, esta nota refere-se "apenas a parte do dispositivo, sobretudo ao das equipas mais ligeiras e mais móveis".

Isso foi tido em conta na elaboração do dispositivo”, continuou.