Um relatório das Nações Unidas denuncia que dezenas de nascentes foram controladas por colonos israelitas em territórios ocupados da Cisjordânia, limitando o acesso à água aos palestinianos.

De acordo com a agência Reuters, o estudo foi realizado pelo gabinete das Nações Unidas para a coordenação de assuntos humanitários. Esta entidade concluiu que pelos 30 das 530 nascentes da região foram tomadas pelos colonos, em zonas controladas militarmente por Israel.

O relatório salienta ainda que os palestinianos têm acesso limitado a outras 26 nascentes, que estão em zonas para onde os colonos se mudaram e que já ameaçaram controlar.

«As nascentes continuam a ser a única fonte de água para a rega e uma fonte significativa para o gado», indica o documento, realçando que em zonas onde não há água canalizada, estes pontos de água servem para o consumo doméstico.

«A perda de acesso às nascentes e às terras adjacentes reduz os rendimentos e afeta os agricultores, que ou deixam de cultivar a terra ou enfrentam uma redução na produtividade das suas colheitas», aponta o documento.

Outra das conclusões do relatório é que várias das nascentes, cujo acesso é negado aos palestinianos, foram transformadas em locais de recreio dos colonos.

«Os colonos desenvolveram 40 nascentes como locais turísticos, colocaram mesas para picnics e bancos e deram-lhes nomes hebraicos... está a gerar emprego e receitas para os colonos e é uma forma de promover os colonatos como locais divertidos», disse Yehezkel Lein, um investigador do gabinete para a coordenação de assuntos humanitários.

Cerca de meio milhão de israelitas e 2,5 milhões de palestinianos vivem na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, zonas que foram ocupadas por Israel na guerra de 1967.

Os colonatos são considerados ilegais pelo Tribunal Internacional de Justiça - a instância mais elevada das Nações Unidas para este tipo de disputas - e os palestinianos dizem que são uma forma de impedi-los de terem um Estado viável.

Israel argumenta com ligações históricas e bíblicas aos territórios, defendendo que o estatuto dos colonatos deve ser decidido em negociações de paz.
Redação / HB