O ritmo de vacinação na União Europeia (UE) é um “motivo de otimismo” no controlo da covid-19, mas “não de complacência”, considerou hoje a comissária europeia da Saúde, vincando que “ainda não é altura de deitar as máscaras fora”.

Intervindo na última reunião de ministros da Saúde sob presidência portuguesa, que a ministra Marta Temido dirige no Luxemburgo, e a primeira realizada presencialmente desde março de 2020, a comissária europeia da tutela, Stella Kyriakides, congratulou-se com a “ação decisiva para impulsionar as campanhas de vacinação em massa em toda a UE, que estão a reduzir acentuadamente o número de casos e mortes” resultantes da pandemia.

“Estas são razões de otimismo, mas não de complacência”, avisou a responsável.

E numa altura em que a UE dispõe de um portefólio de até 4,4 mil milhões de doses de vacinas, incluindo a possibilidade de futuras entregas de vacinas adaptadas às variantes, a comissária europeia vincou que, tendo em conta as entregas previstas, o espaço comunitário está “a caminho de ter doses suficientes disponíveis para cobrir 70% da população adulta da europeia até ao final de julho”.

“Este é o objetivo para o qual estamos a trabalhar, mas mesmo quando atingirmos 70%, não será tempo de declarar vitória”, insistiu Stella Kyriakides, argumentando que “a ameaça de variantes existentes e novas, possivelmente mais transmissíveis e gradualmente mais resistentes às vacinas, continua a ser muito real e grave”.

Contrariar isto é o nosso principal desafio futuro”, salientou a responsável.

A comissária europeia pediu, por isso, aos países que trabalhem em “estratégias de outono e inverno para evitar um aumento dos casos” nessa altura do ano, focando-se também em “acelerar a vacinação, aumentar a confiança na vacina e minimizar a propagação de variantes”.

“Vacinar, vacinar, vacinar deve ser o nosso mantra”, exortou.

Stella Kyriakides alertou que “ainda não é altura de deitar fora as máscaras, deixar os desinfetantes de mãos em casa ou deixar de cumprir o distanciamento social”, apontando que este tipo de medidas “continuarão a desempenhar um papel importante ainda durante algum tempo”.

“Temos de ser transparentes, claros e honestos a este respeito”, concluiu, reforçando que “não é tempo de relaxar porque [a UE] ainda não está fora de perigo”.

Atualmente, estão aprovadas quatro vacinas anticovid-19 na UE: a Comirnaty (nome comercial da vacina Pfizer/BioNTech), Moderna, Vaxzevria (novo nome do fármaco da AstraZeneca) e Janssen (grupo Johnson & Johnson).

Além dos constantes atrasos na entrega das vacinas e em quantidades aquém das contratualizadas por parte da farmacêutica AstraZeneca, a campanha de vacinação da UE tem sido marcada por casos raros de efeitos secundários como coágulos sanguíneos após toma deste fármaco, relação confirmada pelo regulador europeu, como também aconteceu com a vacina da Johnson & Johnson.

A ferramenta ‘online’ do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) para rastrear a vacinação da UE, que tem por base as notificações dos Estados-membros, revela que até ao momento uma média de 27,3% da população adulta da UE já foi inoculada com duas doses de vacina contra a covid-19, enquanto cerca de 52,1% recebeu a primeira dose.

Em termos absolutos, isto equivale a 285 milhões de doses de vacinas administradas de 331 milhões de doses recebidas, dados estes que podem ainda estar a ser atualizados à medida que as notificações dos países chegam ao ECDC.

/ RL