Os presidentes da Comissão Europeia e do Conselho Europeu deslocam-se na próxima semana a Ancara, onde irão reunir-se com o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, foi anunciado esta segunda-feira.

Em 06 de abril, o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, “deslocar-se-ão à Turquia para se reunirem com o Presidente Erdogan”, divulgou o porta-voz de Michel na sua conta na rede social Twitter.

Na quinta-feira, num Conselho Europeu informal realizado por videoconferência, os líderes da União Europeia (UE) afirmaram-se dispostos a “fortalecer a cooperação” com a Turquia caso o “atual desanuviamento" nas relações se mantenha, remetendo uma decisão final para a cimeira de junho.

“Desde que o atual desanuviamento prossiga e que a Turquia tenha uma participação construtiva (…) a fim de reforçar a recente dinâmica mais positiva, a UE está disposta a colaborar com a Turquia de forma gradual, proporcional e reversível para fortalecer a cooperação numa série de domínios de interesse comum, e a tomar novas decisões na reunião do Conselho Europeu de junho”, lê-se nas conclusões publicadas sobre o Mediterrâneo Oriental enquanto a cimeira de líderes ainda decorre.

Os líderes dos 27 declaram-se prontos para “lançar diálogos de alto nível com a Turquia sobre questões de interesse mútuo, como a saúde pública, o clima e a luta contra o terrorismo, bem como sobre questões regionais”.

Após terem assinado um acordo com a Turquia em 2016 para ‘conter’ o fluxo de refugiados que chegava à Europa, através do alocamento de três mil milhões de euros para apoiar os refugiados no país, os líderes saudaram ainda o “facto de a Turquia acolher cerca de quatro milhões de refugiados sírios”, dando o acordo à “continuação da assistência da UE aos refugiados e às comunidades de acolhimento”.

Mas na sequência do anúncio do Governo turco sobre a saída do país da Convenção de Istambul para a prevenção e o combate à violência contra as mulheres e a violência doméstica, os chefes de Estado e de Governo dizem que o “Estado de direito e os direitos fundamentais” na Turquia continuam a ser “uma preocupação fundamental”, reiterando que se mantém “uma parte integrante das relações UE-Turquia”.

Além disso, após o ano de 2020 ter sido marcado por tensões entre Ancara e Bruxelas devido a perfurações ilegais de gás, por navios turcos, nas zonas económicas exclusivas da Grécia e de Chipre no Mediterrâneo Oriental, os chefes de Estado e de Governo apelaram também a que a Turquia “se abstenha de novas provocações ou ações unilaterais que violem o direito internacional”.

/ NM