A missão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), que tentou sem sucesso entrar na Venezuela na terça-feira, acusou o Governo de Nicolás Maduro de "esconder algo", anunciando que visitará brevemente a cidade colombiana fronteiriça de Cúcuta.

"[As autoridades venezuelanas] querem esconder alguma coisa. É típico dos regimes autoritários não se abrirem para o escrutínio das organizações de direitos humanos", disse o secretário-executivo da CIDH, o brasileiro Paulo Abrão, aos jornalistas.

Abrão declarou que Maduro expressa "medo" ao recusar-se a receber a delegação da CIDH.

Além de Abrão, a presidente da CIDH, a panamenha Esmeralda Arosemena de Troitiño, e o representante peruano no órgão, Francisco Eguiguren Praeli, não puderam viajar do Panamá para a Venezuela, onde esperavam encontrar-se com vítimas e realizar trabalhos de campo.

Minutos antes de embarcar no avião, uma pessoa encarregada da empresa Copa Airlines impediu-os de entrar na aeronave.

"Fomos informados de que [a companhia aérea] recebeu instruções do regime venezuelano de que não estávamos autorizados a entrar no país", afirmou a Comissão na sua conta no Twitter.

A CIDH anunciou que tem um "plano B" que será implementado quando ouvir vítimas venezuelanas em Cúcuta, que viajarão acompanhadas de uma missão do líder da oposição venezuelana e presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó.

"Temos um plano B: irmos por Bogotá e chegar à fronteira em Cúcuta. Pedimos que as pessoas vão a Cúcuta (na fronteira com a Venezuela) e ali poderemos atendê-las, ouvi-las", disse à agência de notícias EFE a presidente da CIDH, Esmeralda Arosemena de Troitiño.

Numa cópia de uma carta enviada a Paulo Abrão, Caracas diz que "em nenhum momento o Governo da República Bolivariana da Venezuela convidou ou deu anuência à CIDH para realizar uma visita ao país" e recorda que a 25 de abril de 2019 "entrou em vigor a denúncia da Carta da OEA realizada pelo Governo venezuelano", que formaliza a saída da organização.

A crise política, económica e social na Venezuela agravou-se desde finais de janeiro de 2019, quando o presidente do parlamento, o opositor Juan Guaidó, jurou publicamente assumir as funções de Presidente interino do país, até afastar Nicolás Maduro do poder, convocar um governo de transição e eleições livres no país.

/ AM