A Ryanair está a recusar o transporte de passageiros que foram reembolsados de forma ilegal, através de empresas bancárias, por voos que não conseguiram realizar devido às restrições à mobilidade de pessoas impostas pelos governos durante os confinamentos.

Num comunicado divulgado esta terça-feira, citado pela CNN, a companhia aérea adiantou que esta medida afeta menos de 1000 pessoas, que “escolheram não viajar e procederam a reembolsos ilegais através das suas empresas bancárias”. 

Agora, os passageiros que desejem reservar novos voos na Ryanair são obrigados a “liquidar as suas dívidas pendentes”, uma regra que está incluída nos “Termos e Condições” daquela companhia aérea e que têm de ser aceites no momento da reserva.

A empresa baixo-custo acrescentou ainda que os clientes que foram reembolsados diretamente pela Ryanair, logo após o cancelamento dos voos, não serão afetados.

De acordo com o MoneySavingExpert, uma página da internet especializada em finanças pessoais do Reino Unido, três passageiros denunciaram a companhia irlandesa por apenas terem conhecimento de que não poderiam viajar pela Ryanair após efetuarem a reserva.

Agora, só terão permissão para o fazer depois de pagarem os respetivos reembolsos. De acordo com aquele website, a Ryanair ofereceu o reembolso dos bilhetes, caso os clientes não quisessem devolvê-los.

Mas um dos passageiros apenas soube desta situação três dias antes do embarque, sentindo-se obrigado a pagar à Ryanair, evitando assim o risco de perder dinheiro que já tinha gasto em alojamento, transporte, testes de covid-19 e estacionamento no aeroporto.

De acordo com o site britânico, os três passageiros reclamaram a devolução do dinheiro à empresa de serviços financeiros American Express, depois de a Ryanair ter recusado o reembolso dos voos que não realizaram em 2020. Os clientes garantiram ao website que, na altura, não lhes foi oferecido qualquer voucher ou opção de uma nova reserva.

Num comunicado enviado à CNN, a American Express garantiu que todas os pedidos de devolução de dinheiro efetuados pelos seus clientes são revistos “caso a caso, com cuidado e justiça, não só com a empresa, como também com o titular do cartão bancário”. 

De acordo com aquele website, dezenas de passageiros estão a reclamar de situações semelhantes com a Ryanair num fórum na Internet. A CNN tentou entrar em contacto com as empresas Mastercard e VISA, que recusaram comentar a situação.
 

Beatriz Céu